No Dia Mundial dos Oceanos, a Sociedade Portuguesa
para o Estudo das Aves (SPEA) alerta para o perigo da pesca fantasma:
redes, anzóis e outros apetrechos de pesca perdidos, que ficam à
deriva nos mares e matam milhares de animais todos os anos. Para
minimiar o problema, a SPEA e restantes parceiros do projecto 'OceanLit' estão a trabalhar com pescadores e populações locais na
Madeira, Açores e Canárias.

Recentemente, encontrámos uma cagarra pendurada numa linha elétrica por um fio de pesca. Supomos que o fio de pesca estivesse abandonado no mar e tenha ficado enrolado na ave. Ao voar para o seu ninho, a ave traria o fio pendurado e terá ficado presa à linha elétrica, numa armadilha letal. É um exemplo insólito, que trouxe para perto das pessoas uma realidade que normalmente passa despercebida, no mar alto, mas que não deixa por isso de ser preocupante.”
— Cátia Gouveia, coordenadora da SPEA Madeira

As linhas, redes e anzóis perdidos e deixados à deriva no mar
transformam-se em armadilhas para aves, tartarugas marinhas e outros
animais que nelas ficam feridos ou presos, acabando muitas vezes por
morrer.

De acordo com a coordenadora da SPEA Madeira, "esta pesca fantasma é uma parte significativa do lixo marinho
que todos os anos mata cerca de um milhão e meio de animais nos
oceanos de todo o mundo".

As acções de sensibilização para pescadores e comunidades costeiras sobre
a ameaça do lixo marinho desenvolvidas pela SPEA Madeira, no âmbito do projecto Interreg OceanLit, têm como parceiros a Secretaria Regional do Ambiente e Alterações
Climáticas, Secretaria Regional de Agricultura e Pescas, Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira e Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação, Tecnologia e Inovação.

O projecto teve início em
2019 e terminará em 2022.