“É uma má notícia”, foi desta
forma que Pedro Calado resumiu a decisão do Reino Unido em retirar Portugal,
incluindo a Madeira e os Açores, da sua lista verde. “No período em que estávamos todos preparados para fazer a
recuperação económica, em que já estamos a receber muitos turistas do Reino
Unido, esta notícia não podia ter vindo em pior altura”, apontou o vice-presidente
do Governo Regional.

Para o número dois do executivo
madeirense, “a Madeira e os Açores, infelizmente, estão a ir a reboque de uma
má imagem que Portugal continental deu nos últimos dias”. E essa má imagem, no
seu entender, prende-se “com as manifestações desportivas e com o aumento do
número de casos [de covid-19]”.

Foi no final das celebrações religiosas
do Corpo de Deus, que decorreram na tarde desta quinta-feira, na Sé do Funchal,
que Pedro Calado fez questão de salientar que “a Madeira não tem a mesma
realidade que o continente tem, felizmente”. E esclareceu: “Nós temos tido um
número de casos muito reduzido, nem chega a uma dezena diariamente, e estamos
preparados para dar continuidade ao bom trabalho que temos feito”.

Para já, e conforme já foi também
revelado por outros membros do Governo Regional, a Madeira já está a trabalhar
e a pedir ao Reino Unido uma “discriminação positiva”. E o vice-presidente
explica em que bases se fundamenta essa acção junto do governo britânico. “Porque
a nossa realidade, sendo completamente diferente da do continente, estamos já
preparados inclusivamente para receber cruzeiros, temos operações montadas com
operadores turísticos, temos a Ilha preparada”.

Para essa discriminação positiva
deverá contar, também, o facto de a Região ter, neste momento, mais de 40% da população
com pelo menos uma dose da vacina contra a covid-19 e mais de 20% já com as duas doses. “Estamos a um ritmo
muito grande de vacinação. E as coisas estão a correr bem. Portanto, não há
motivo nenhum, neste momento, para ter a Madeira junta com Portugal continental”,
defende Pedro Calado.

“E é essa discriminação positiva
que vamos pedir para a Madeira, espero que seja atendida pelo Reino Unido, porque
temos corredores e linhas verdes que podem operar entre o Reino Unido e a
Madeira, sem passar pelo continente”, apontou o governante.

Esperançado que “isto não dure
muito tempo”, Calado acredita que “é uma questão de as autoridades reverem o
processo e olharem para a Madeira com a especificidade positiva que a Madeira
tem neste momento”.

“Neste momento, os hotéis estão
com boa taxa de ocupação, temos tudo preparado para essa recuperação”. Além disso,
“advinha-se um bom Verão”, pelo que o vice de Albuquerque está esperançado. “É
um revés, mas é um pequeno revés, e espero que dentro de muito pouco tempo possamos
ter a Madeira novamente integrada na lista verde britânica”, frisou o
governante.