António Trindade, presidente grupo PortoBay Hotels & Resorts,
considera a exclusão de Portugal da lista de países considerados seguros para
viajar, hoje determinada pelo governo britânico, de medida “manifestamente
inesperada” e “muito grave” tendo em consideração o peso que o mercado inglês
representa para o país, sobretudo nesta fase de retoma da actividade turística
que coincide “com os primeiros indícios de uma recuperação do mercado”.

Quando “todos estávamos manifestamente esperançados que a
Inglaterra pudesse dar aqui um grande empurrão para recuperação”, o hoteleiro
madeirense não esconde a frustração de ver o país, Madeira incluída, ser
retirada da ‘lista verde’ que ‘convidava’ os britânicos a viajarem sem
constrangimentos no regresso a casa.

“Agora vamos ter que esperar até, julgo eu, o dia 21 de Junho,
a ver se a situação eventualmente altera”, manifesta, ao mesmo tempo que se diz
convencido que a decisão esta tarde confirmada por Grant Schapps, ministro dos
Transportes do Governo de Boris Johnson, foi sobretudo resultado de “muitos
interesses políticos”.

Decisão que “é grave” não apenas para Portugal e para a
economia nacional, mas também com reflexo grave no próprio tecido empresarial
inglês, nomeadamente “no tecido económico da exportação turística inglesa”.

António Trindade lembra que “as companhias aéreas tiveram já
decréscimos na Bolsa de Londres e o mesmo acontece com todos os operadores
turísticos. Espero que o bom-sendo político inglês possa prevalecer a breve
trecho”, ou seja, que a posição hoje tomada possa ser revertida dentro de três
semanas. Admite que “a permissão da final da Liga dos Campeões Europeus, no
Porto” também não ajudou para que a imagem de Portugal tivesse suficientemente
salvaguardada em matéria de segurança para as férias dos turistas ingleses.

As repercussões para o grupo hoteleiro com 12 hotéis em
Portugal são inevitáveis.

“Quando há uma interrupção como esta, é não só a interrupção
dos turistas que deveriam chegar”, onde prevê “um decréscimo substancial, dadas
as exigências de quarentena no regresso”, mas é também “o ambiente de quebra da
confiança e, por consequência, de quebra de reservas para os próprios destinos.
Este é que é o ambiente difícil”, manifesta. Aponta o exemplo dos países que
são geradores de negócio turístico junto do mercado inglês na bacia do
Mediterrâneo e estão a sofrer com os constrangimentos inerentes à pandemia da
Covid-19, para concluir que “o facto de haver este ambiente de quarentena gera
insegurança e gerando insegurança gera ausência de reservas”.

Os reflexos no Grupo PortoBay decorrentes desta decisão do
governo britânico deverão surgir nas próximas horas.

“No momento presente o número de cancelamentos ainda é
relativamente pequeno dado que a notícia tem horas, mas a nossa expectativa é
que haja decréscimos grandes”, assume.

“As perspectivas que tínhamos, sobretudo para o Algarve,
onde tínhamos o hotel com uma excelente taxa de ocupação, vamos sentir
fortemente. Quer no Algarve, quer inclusivamente também na Madeira”, onde a
principal origem turística actualmente era proveniente do mercado britânico.

António Trindade diz que esta grave quebra de confiança “é
mais um apelo à nossa capacidade de resiliência”, e pouco mais a fazer no
momento presente do que esperar que outros mercados, nomeadamente o alemão,
possa concretizar nos próximos dias a expectativa de retoma: “esperamos que
aconteça”, reforça. O mesmo em relação ao mercado português, por reconhecer que
“pode dar um contributo importante” e ser mesmo a alternativa mais viável à
previsível retirada do mercado britânico.