A menos de 24 horas da estreia da
selecção nacional no Campeonato Europeu de Futebol, o DIÁRIO foi à rua perceber
se os 26 jogadores chamados por Fernando Santos têm o que é necessário para defender
o ceptro conquistado em 2016.

A primeira conversa foi travada a
poucos metros do antigo campo do Club Sport Marítimo, equipa madeirense que traja
as mesmas cores da selecção de todos nós. Na Zona Velha da cidade do Funchal e
numa das esquinas mais movimentadas da baixa falámos com Jorge Reis.

Sentado na Tasca do Aníbal a
beber uma cerveja e a petiscar, o sexagenário natural da Figueira da Foz diz
que Portugal “não chega a lado nenhum” e justifica a tirada.

Vai ser afastada já nesta
primeira fase. O grupo é forte. Alemanha e França pertencem ao grupo de candidatos
e a Hungria também é uma equipa que Portugal tem de tomar muito cuidado.
Portanto, no meu ponto de vista, Portugal não tem possibilidades. Vive de três
ou quatro jogadores que são importantes, mas no seu conjunto Portugal não
resulta muito.
— Jorge Reis

O homem diz mesmo que a conquista
do Euro 2016 foi conseguida “de uma forma muito estranha”, tanto é que Portugal
“não ganhou nenhum jogo nos 90 minutos”. Coisa que até nem é verdade, porque a
Selecção das Quinas bateu o País de Gales, nas meias-finais, por 2-0, no tempo
regulamentar.

Apesar do equívoco, há uma certeza
na ideia partilhada por Jorge Reis e que é comum a muitos portugueses. A selecção
“joga muito para o empate e não é uma equipa ofensiva como França, Inglaterra
ou Alemanha”. Resumindo, Fernando Santos “usa métodos que não torna o futebol
muito atraente”, pelo que defende a chegada de outro seleccionador.

Este já está lá há muito tempo,
apesar de apostar na juventude. Ainda assim, há jogadores que já não deviam
estar na selecção, um deles o Pepe (…) inclusive o Cristiano Ronaldo, que
muitas vezes não deveria ser titular (…) O Moutinho por exemplo… Ele insiste em
jogadores que estão cansados.
— Jorge Reis

Volta e meia ao quarteirão e chegámos à fala com João Correia. Optimista e de poucas palavras, o septuagenário acha que Portugal vai ganhar
amanhã à Hungria. "Para mim, o jogo de amanhã fica
2-1 a favor de Portugal", vaticina.

"Portugal tem jogadores para
ganhar. É preciso de ter um pedacinho de
sorte e esperança que vamos sempre em frente", indicou, esperançoso.

Uns metros à frente, uma voz mais
jovem diz que a selecção “vai estar bem no Euro”, apesar do grupo ser “muito
difícil”.

“Damo-nos bem com equipas
grandes. Espero que Portugal passe a fase de grupos e vá o mais longe possível,
que é até à final. Somos campeões europeus em título e temos de defender esse
património”, vinca Fábio Remesso.

O empresário acredita ser "uma desvantagem não jogar
em casa", como irá acontecer com as restantes selecções do Grupo F. "Mas as grandes equipas estão habituadas em jogar em qualquer lado. Os
jogadores da selecção estão habituados a jogar em casas difíceis, portanto, tem
de ser usado como uma oportunidade", refere.

Já sobre a ausência de João Cancelo, infectado com Covid-19, Fábio Remesso espera que "seja o único e que
mais ninguém apanhe", lamentando que o lateral direito "vá fazer falta" e aproveitando a deixa para defender que Ricardo Pereira deveria ter
sido convocado.

Passando a primeira fase o
objectivo é chegar ao fim e ganhar. Somos campeões em título e é isso que eu
espero.
— Miguel Encarnação

Ainda pela Praça do Município encontrámos Miguel Encarnação, rosto conhecido pelas bandas do Porto da Cruz. O também empresário defende que a convocatória de Fernando Santos "está bem
assim" e recorda o que se passou há cinco anos.

"Foi criticado no último
Europeu e chegámos à conclusão que foi uma boa escolha. O que interessa é que
Portugal seja campeão". Com sorte ou trabalho? "Temos uma das melhores equipas e
acredito piamente que sejamos campeões", precisou.

O périplo terminou no bar de Luís Freitas, que não teve problemas em falar com o DIÁRIO ao contrário dos seus clientes - que praticamente fugiram do estabelecimento para não falar... de futebol. O homem de 63 anos deu a receita para o um Europeu de sucesso e explica que Portugal tem "de jogar como
equipa".

Temos de jogar como uma selecção, com união, com a colaboração de
todos. A bola não tem de passar só pelo Cristiano Ronaldo. Tem de passar por
todos. É uma seleção. Não é um astro nem dois. É o jogador [Cristiano Ronaldo] que os adversários
vão dar maior atenção, por isso é a oportunidade para outros jogadores
aparecerem.
— Luís Freitas

Considerando que o grupo de Portugal "é dos grupos
mais difíceis", se a equipa passar "já é meio caminho andado para chegar às meias-finais". Nesta primeira fase, Luís acredita na vitória diante a
Hungria, um empate diante a França e vitória frente à Alemanha.