A corrida eleitoral à presidência do Nacional continua a motivar debate aceso e azedo entre duas grandes figuras alvinegras.

Rui Alves acusou, ontem, Miguel de Sousa de "terrorismo eleitoral" e de "praticar ilegalidades estatutárias" ao viabilizar a lista apresentada por Daniel Meneses. Durante a apresentação da sua recandidatura à presidência do Nacional, o ainda líder do clube insular disse que a lista do seu adversário tinha "todas as condições para ser rejeitada". A resposta pouco tardou e Miguel de Sousa - sem nunca mencionar o nome de Rui Alves - aprovou as duas candidaturas, tendo exigido a apresentação do Relatório e Contas de 2020 do Nacional da Madeira.

"Como presidente da Assembleia Geral do C. D. Nacional informo que ontem, 21 de Maio, aprovei duas candidaturas aos órgãos sociais do clube, uma presidida pelo sócio Daniel Meneses e outra pelo ainda presidente da direcção. As candidaturas estão validadas e, na segunda-feira 24 de Maio, pelas 18 horas, na sede do Clube, será sorteada a ordem das listas no boletim de voto", começa por explicar Miguel de Sousa em nota enviada ao DIÁRIO.

Nesta data, estou pedindo ao ainda presidente do Clube a apresentação do Relatório e Contas relativo a 2020, cuja discussão e votação está marcada para a assembleia geral ordinária marcada para 31 de Maio corrente. Caso não seja, a respectiva documentação, entregue à Mesa da Assembleia Geral do Clube até à próxima terça-feira, 25 de Maio, a referida reunião magna terá de ser adiada cumulativamente com a posse dos órgãos eleitos no dia 1 de Junho próximo.
— Miguel de Sousa, presidente da Assembleia Geral do Nacional

Mediante a apresentação do documento solicitado, Miguel de Sousa refere que os sócios terão de ter um período prévio à discussão para consulta e análise do Relatório e Contas.

Neste bate-boca que já se arrasta desde há um mês, o presidente da Assembleia Geral do clube deixou ainda uma bicada a Rui Alves, isto a propósito das declarações do líder alvinegro, ontem, na sequência da apresentação da sua recandidatura à liderança do emblema da Choupana.

Sem querer responder com o mesmo nível de educação (no caso, falta dela) às atoardas proferidas por, certamente, quem se vai apercebendo das diferentes opções dos sócios, não deixo de dizer que quem acusa sabe muito mais de ilegalidades do que eu.
— Miguel de Sousa, presidente da Assembleia Geral do Nacional

Último lugar precipitou azedume

O facto de Rui Alves ter mantido Luís Freire no comando técnico do Nacional quando a descida estava já no horizonte precipitou o azedume entre ambos.

Primeiro, Miguel de Sousa olhou para a gestão desportiva de Rui Alves e teceu duras críticas ao presidente dos alvinegros, que foi acusado de não aprender com os erros do passado.

"Se o ditador não tivesse teimado em manter o incompetente treinador, estaríamos a lutar pela manutenção" ou "Um prepotente e um incompetente juntos condenaram o Nacional à descida" e ainda "O Nacional não pode depender do dinheiro do Governo" foram algumas das frases que Miguel de Sousa colocou na sua conta pessoal de Facebook.

Rui Alves acabou por se defender das críticas - já depois de Miguel de Sousa ter anunciado que não se recandidatava ao cargo de presidente da AG do Nacional - e foi aos microfones da TSF-Madeira, no programa 'Bola no Ar', que acabou por rebater as acusações do presidente da Assembleia Geral do Nacional.

Também na sequência das críticas endereçadas por Miguel de Sousa, igualmente proferidas na TSF-Madeira, o Clube Desportivo Nacional viu-se obrigado a clarificar quanto custava aos cofres do clube o salário de Rui Alves.

Aguardam-se por mais desenvolvimentos até ao dia 1 de Junho, data para a qual está marcada as eleições da formação insular que desceu novamente à II Liga e que agora procura novo treinador.