Foram cinco os voos oriundos do Reino Unido que aterraram ontem na
Madeira, nomeadamente quatro no Aeroporto da Madeira –
Cristiano Ronaldo e um outro no Aeroporto do Porto Santo. Estes cinco voos
carregaram cerca de 800 turistas britânicos para a região, sendo que a maior
parte deles já trazia consigo o resultado negativo do teste PCR à covid-19.
A chegada de turistas britânicos à Madeira, após a
inserção de Portugal na ‘lista verde’, é vista com satisfação, mas não
necessariamente como ‘a salvação do turismo português’. Em específico no caso
da Madeira, e embora este mercado represente cerca de 20% do turismo madeirense,
“não é apenas o mercado inglês que nos interessa”, esclarece Eduardo Jesus, ao
DIÁRIO. A aposta está feita, também, para outros dois mercados que compõem o
top3 na emissão de turistas para a Madeira: o Continente e a Alemanha.
Isto não exclui a importância do mercado britânico, que “tem
um peso determinante.” O Verão prevê-se movimentado a nível de voos desde o Reino
Unido: “Estamos, de momento, a operar com quatro origens no Reino Unido e vamos
passar para 12 aeroportos de origem em Junho, aumentando a oferta de lugares
para a Madeira de 7.500 para 19.000 no mês de Junho.” As frequências passam de
36 e 4 para 93 e 10 para a Madeira e Porto Santo, respectivamente, no próximo mês.
O Reino Unido é, de facto, o mercado emissor estrangeiro
mais importante para a Madeira, suplantado apenas por um outro: o mercado
nacional, que “já o ano passado nos valeu bastante e atingiu o topo da hierarquia
em termos de contributo para o sector do turismo.” Para isso, foi feito “um
grande trabalho da nossa parte”, a par com os operadores turísticos nacionais e
com a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que
nomeou a Madeira como ‘Destino Preferido’ em 2021.
Junho oferece, então, um total de 73.000 lugares entre o Continente
e a região. Atenção especial para o Porto Santo, que contará com seis charters organizados
pelos principais operadores turísticos portugueses. “Das indicações que temos,
o Porto Santo andará muito perto da capacidade máxima durante o Verão. Vamos
ter um Verão muito forte no Porto Santo”, afirma Eduardo Jesus.
Em terceiro lugar temos
a Alemanha, “que em Junho já vai oferecer 12.500 lugares em avião, com 65 frequências
nesse mês.” Segundo o governante, “a Alemanha está a responder bem, mas com um
grande potencial de crescimento, e é nesse sentido que estamos a trabalhar.” Ao
todo, e apenas destes três mercados, “estamos a falar em mais de cem mil
lugares disponibilizados para a Madeira, mais de 600 frequências no mês de Junho,
garantindo o acesso através de 21 aeroportos diferentes.”
Covid-19 é controlada mantendo comportamentos certos
Questionado pelo DIÁRIO, Rogério Correia, delegado de Saúde
do Porto Santo, assegurou que “a chegada de turistas britânicos ao Porto Santo
está a correr muito bem.” Segundo o responsável a maioria dos ingleses chegou à
ilha já com teste PCR realizado, com o sistema de triagem no aeroporto a ter
durado cerca de 40 minutos, no total.
“Dos mais de 100 passageiros que chegaram ontem, só dois é
que fizeram teste no Porto Santo”, explica. Estes dois passageiros chegaram à
região com testes antígeno negativos e foi pedido que realizassem os testes PCR
exigidos pelo Governo Regional, que se revelaram, também, negativos.
Rogério Correia pensa que “controlar os casos no Verão vai
ser um inferno”, com a chegada antecipada de charters e voos regulares de
países estrangeiros, comparativamente à operação de 2020. Ainda assim, assevera
que “já temos algum traquejo.” Explica que “a percentagem de risco de
aparecimento de novos casos aumenta, perante o número absoluto de pessoas na
ilha, mas isto só significa que temos de continuar a ter os cuidados que temos
tido até agora.”
O delegado de Saúde do Porto Santo elogia a população local,
que “tem manifestado todos os comportamentos correctos”, razão pela qual a ilha
deve voltar aos zero casos covid-19 muito em breve. Se estes comportamentos se mantiverem, “vamos ter um Verão seguro e apresentar, novamente, um
destino seguro.”
Foram vários os comentários de utilizadores das redes
sociais, nas notícias de diversos meios de comunicação social que anunciavam a
chegada dos turistas britânicos ao país, que manifestavam algum receio em
relação a esta ‘enchente’. O Reino Unido iniciou ontem uma nova fase de
desconfinamento, de certa forma ensombrada pelo aumento no país de casos da
variante do coronavírus descoberta na Índia.
É precisamente este o medo dos cidadãos portugueses em abrir
as portas do seu país, e em concreto dos madeirenses. Contudo, Eduardo Jesus apazigua:
“Julgo que é da percepção pública a existência de um sistema de controlo e
rastreio que permite alcançar a confiança não só de quem nos visita, como
também de quem cá vive.” O secretário regional do Turismo e Cultura fala do
“rastreio implacável” que é feito nos aeroportos da região como fonte de
confiança:
“Logo nos aeroportos é feito um rastreio implacável, muitos dos turistas que chegaram vinham já com testes realizados. É feito, ainda, o acompanhamento no território, através do Madeira Safe, que todos os dias entra em contacto com as pessoas. A Madeira é pioneira na vacinação de todo o sector do turismo. Uma região que está a vacinar toda a sua população e está versada em toda uma política integrada para minorar os riscos da covid-19.”
Para o governante, “tudo isto permite um descanso por parte
da população.” Ainda assim lembra que é “temos de viver com este equilíbrio e é
importante que cada um continue a cumprir com as recomendações das
autoridades.” É desta forma que o sector do turismo pode reavivar na região, ao
mesmo tempo que esta se mantém um destino seguro, para turistas e para a sua
própria população.
Da ‘lista verde’ à chegada em massa de turistas
A debandada de turistas do Reino Unido para Portugal deve-se
à inserção do nosso país na ‘lista verde’ do governo de Boris Johnson, que
permite as viagens não essenciais para Portugal, sem necessidade de período de
quarentena no regresso. Portugal abriu as suas fronteiras a estes turistas esta
segunda-feira, 17 de Maio, mediante a apresentação à chegada de um teste PCR
realizado nas 72 anteriores, com resultado negativo.
As portas estão abertas entre os dois países e a ‘lista
verde’ manter-se-á inalterada durante as próximas três semanas. Ou seja,
durante as próximas semanas, as atenções centram-se em Portugal. O
semáforo está verde apenas para 12 destinos mundiais. Destinos de férias
favoritos dos cidadãos do Reino Unido, como Espanha, Grécia, Itália, França,
encontram-se na ‘lista amarela’, de locais “para onde não se deve viajar.”
Viajar para países na ‘lista amarela’ implica a realização
de um teste antes do regresso, bem como agendamento (e pagamento) de outros
dois testes, dois e oito dias após o regresso, e ainda um período de
isolamento profilático em casa, num total de 10 dias. São vários os destinos
europeus a pedir ao Reino Unido que reconsidere a lista, incluindo as vizinhas
Canárias, que com uma situação epidemiológica díspar do continente espanhol,
acreditam que o arquipélago deve ser analisado separadamente.
Já o secretário de Estado dos Transportes do Reino Unido, Grant Shapps,
asseverava a 7 de Maio, aquando do anúncio dos destinos que integravam a ‘lista
verde’ a partir de 17 de Maio, que “não penso que vamos adicionar novos países
em breve”, apoiado pelo primeiro-ministro Boris Johnson, que dizia que não
previa a adição de novos destinos a esta lista “num futuro próximo.”
As atenções estão, pois, centradas em Portugal. Mais
especificamente em dois destinos com os quais os turistas do Reino Unido têm
uma relação de longa data: a Madeira e o Algarve. À Madeira chegaram ontem
cerca de 800 passageiros, ao Algarve foram mais de 5.500, que chegaram em 17 voos,
que aterraram no Aeroporto de Faro ao longo do dia. Para além destas duas regiões,
chegaram ainda seis voos a Lisboa e outros três ao Porto, também oriundos do
Reino Unido.
Como resposta a este incremento da procura são já vários os
anúncios de aumento de frequências por parte de diferentes operadores. Esta semana
foi a vez da portuguesa TAP informar que o volume de reservas do Reino Unido
para Portugal mais que duplicou na semana passada, comparativamente à semana
anterior, num crescimento de 131%. Por esta razão, a companhia aérea aumenta o
número de voos entre o Reino Unido e Lisboa e Porto, não falando em qualquer
alteração para a Madeira.
Já a semana passada, imediatamente após o anúncio da nova
‘lista verde’, a TUI falava em um aumento exponencial da procura por destinos
portugueses. Adicionou, então, voos para o Algarve e para a Madeira. Para a
região insular há mais voos por semana desde Londres Gatwick e Manchester, à
sexta-feira, de 21 de Maio a 29 de Outubro, e a adição de duas ligações
semanais a Birmingham, todas as segundas e sextas-feiras, também até 29 de
Outubro.
Dos quatro voos que chegaram ontem ao Aeroporto da Madeira –
Cristiano Ronaldo, três foram da TUI, precisamente dos destinos acima
mencionados. O outro voo do Reino Unido veio de Londres-Heathrow, a bordo de um
avião da British Airways. A TUI foi, também, a companhia aérea que aterrou
ontem no Aeroporto do Porto Santo, levando à ilha 130 turistas provenientes de
Londres-Gatwick.
Numa publicação na sua conta de Instagram oficial, a TUI UK
partilhou os momentos felizes das chegadas de ontem à Madeira, com a descrição:
“É bom estar de volta! Tivemos um dia incrível, regressámos aos céus pela
primeira vez em meses.”
A ‘lista verde’ do Reino Unido
- Austrália
- Brunei
- Ilhas Falkland
- Ilhas Faroé
- Gibraltar
- Islândia
- Israel
- Nova Zelândia
- Portugal (incluindo Madeira e Açores)
- Singapura
- Ilhas
Geórgia do Sul e Sandwich do Sul - Santa Helena, Ascensão e Tristão da Cunha.
