Pedro Pereira, presidente da JP - Juventude Popular da Madeira,
e Sara Madalena, presidente da concelhia do CDS na Ponta do Sol, são apenas dois
dos muitos centristas madeirenses que esperam um “esclarecimento cabal” do partido
sobre as alegações feitas, ontem à noite, na reportagem da SIC ‘A Grande Ilusão’,
na qual se dá nota de um financiamento, na ordem dos 30 mil euros, feito ao CDS-PP
Madeira pelo também financiador do CHEGA, César do Paço. A reunião da Comissão
Política, convocada de urgência para o próximo sábado, dia 17 de Abril, servirá
para isso mesmo.
Mas ainda antes dos esclarecimentos, primeiro aos militantes
e depois a todos os madeirenses, que consideram serem de grande importância,
mais ainda numa altura de pré-campanha para as eleições autárquicas, o líder da
JP-Madeira considera que a reportagem da SIC “nada abona a favor da imagem do
CDS-Madeira”.
Apesar de conhecer os problemas financeiros do partido, que
levaram, por exemplo, a um empréstimo no banco Crédito Agrícola para suportar a
última campanha autárquica, Pedro Pereira, que já foi secretário-geral do
partido, e que agora é membro da Comissão Política, diz que em momento algum
teve conhecimento deste alegado empréstimo, agora dado a conhecer pela reportagem
da estação televisiva nacional.
“Foram-nos apresentados factos jornalísticos, na reportagem
da SIC, mas não sendo uma investigação judicial, não há nada que prove uma ilegalidade”,
sublinha, no entanto, certo de que o líder do CDS-Madeira, Rui Barreto, vai
prestar os esclarecimentos necessários, na reunião de sábado. “Espero que o
partido seja capaz de comunicar, e bem, esses esclarecimentos”, até porque na política,
e como se costuma dizer sobre a mulher de César, “não basta ser sério, é preciso
parecer”.
Ontem, num comunicado tornado público pelo CDS-Madeira, não é
negada a existência de um empréstimo, numa altura em que “o partido passava por
dificuldades financeiras”, o que não é admitida é a existência de um financiamento.
É explicado que, “por definição, os empréstimos devem ser
devolvidos e foi aquilo que foi feito, no tempo certo e em acordo com o
mutuante. As verbas foram devolvidas até ao último cêntimo e não chegaram,
sequer, a ser utilizadas, já que o partido, entretanto, conseguiu um empréstimo
bancário”. Pelo que, adianta o mesmo comunicado, “não há nada de ilegal na
conduta de qualquer um dos envolvidos”.
Sara Madalena também diz ter conhecimento das dificuldades do
CDS-Madeira no acesso à banca, como foi comunicado numa Comissão Política, já
antes das eleições de 2019, mas “naturalmente que os meandros financeiros e
económicos do partido não me são dados a conhecer”, pelo que apenas teve conhecimento
do alegado financiamento através da reportagem emitida ontem à noite na SIC. “Eu
e tantos outros militantes do partido”.
A centrista não quer tecer muitos comentários sobre o assunto,
não antes de ouvidos os esclarecimentos de Rui Barreto, previstos para a
Comissão Política extraordinária, mas admite que a situação está a gerar
burburinho entre os militantes.
Após uma solicitação do DIÁRIO, o ex-líder do partido e agora
presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, José Manuel Rodrigues não quis
comentar o assunto.
Certo é que a reportagem, que expôs os contornos do dinheiro
(29.880 euros) que chegou às contas bancárias de Rui Barreto, Gonçalo Santos,
Vítor Barreto, Luís Filipe Santos e Gonçalo Camacho, está a pautar a agenda política
e mediática desta quinta-feira.
Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional e parceiro
de coligação, já disse que mantém “total confiança” em Rui Barreto, presidente
do CDS-PP Madeira e também secretário regional de Economia.

