O deputado à Assembleia da República e presidente da
JS-Madeira aponta que a retoma dos mercados turísticos é essencial para a
recuperação da economia madeirense, mas considera que é preciso haver um plano
B, que salvaguarde as empresas, os trabalhadores e o destino, caso os mercados
não respondam.

À margem de uma visita ao Hotel Solar do Bom Jesus, em
Santa Cruz, Olavo Câmara demonstrou preocupação com o futuro do destino e das
empresas ligadas ao turismo caso a retoma não seja a esperada. O jovem deputado
aponta vários exemplos em que o mercado não respondeu ao que a Madeira ambicionava.
“Temos afirmado que a Madeira é um destino seguro e respondeu bem à pandemia,
mas não se vê esses resultados refletidos na economia”, referiu, adiantando que
“o anúncio de mais ligações e mais turistas não se reflete nas reservas ou nas
dormidas”.

“Por esta altura, era esperada uma retoma dos mercados
tradicionais e a verdade é que tal não aconteceu”, afirmou Olavo Câmara,
acrescentando que ainda não sabemos se a recuperação dos mercados britânico,
francês e alemão realmente irá acontecer “como esperado e como precisamos”.

“As empresas, até agora, têm-se aguentado com os apoios,
mas quando o mercado começar a funcionar, naturalmente deixará de haver a
necessidade de apoios, o que levanta algumas preocupações, caso o mercado não
tenha uma retoma esperada e não consiga responder à oferta do setor turístico
da Madeira”, vinca o parlamentar, considerando que é preciso pensar no
pós-pandemia e ter uma resposta para esta situação hipotética. “Temos de prever
todos os cenários e ter respostas para todos os cenários”, sublinhou.

Olavo Câmara apontou também a questão do aeroporto da
Madeira como essencial na afirmação do destino Madeira. “É urgente avançar com
a solução da inoperacionalidade do aeroporto da Madeira, e essa solução passa
pelo aeroporto complementar do Porto Santo, com ligação de barco à Madeira”,
explicou, frisando que é preciso aproveitar as verbas europeias para
implementar esta solução, de modo a afirmar o nosso destino. “Não podemos ser
uma região turística em que quem nos visita não sabe se consegue aterrar ou
partir no dia previsto e esta imprevisibilidade retira competitividade ao nosso
destino”, sustentou.

Olavo Câmara enalteceu o exemplo do empreendimento
visitado, não só pela qualidade e fator diferenciador que acrescenta ao nosso
destino, mas também por continuar de portas abertas quando 70% do setor está
encerrado, mantendo os compromissos e os postos de trabalho.

A visita contou com a presença da deputada à Assembleia
Legislativa Regional, Marina Barbosa, com o secretário-geral da JS-Madeira,
Pedro Calaça Vieira, e com elementos da JS-Santa Cruz, designadamente o seu
presidente, Henrique Pimenta, Diogo Henriques e Rodrigo Pimenta.

A jovem comitiva pede também que os apoios da
Câmara Municipal de Santa Cruz sejam estendidos até ao fim do ano, defendendo
em particular que a taxa turística, que está prevista ser retomada a 1 de
junho, seja novamente suspensa até haver uma recuperação efetiva do turismo no
concelho.