O deputado do Partido Socialista-Madeira à
Assembleia da República Olavo Câmara defendeu, hoje, uma maior aposta e
valorização da agricultura, de forma a garantir a sustentabilidade e defesa do
ambiente e, simultaneamente, combater o despovoamento das zonas rurais.

Na audição ao ministro do Ambiente e Ação
Climática, na Comissão de Agricultura e Mar, o parlamentar madeirense
considerou que é preciso manter e defender a humanização da paisagem do país,
dos campos, do interior e das ilhas, afirmando ser necessária a defesa dos
agricultores e “não continuar a diabolizar aqueles que são e sempre foram os
verdadeiros ambientalistas e defensores da natureza”.

Olavo Câmara deu conta que as questões
ambientais e da sustentabilidade são uma luta de todos e que tal “não pode ser
confundido nem feito com um ataque permanente à agricultura e aos
agricultores”. “A defesa da natureza, da vida selvagem e da sustentabilidade
não tem de ser uma guerra contra a ação humana. Pelo contrário, é preciso
envolver mais pessoas nos campos e nas serras, precisamente para continuarmos a
ter o campo trabalhado, as serras limpas e os ecossistemas protegidos e não um
interior abandonado”, sustentou.

É por isso que defendeu que deve haver uma
vivência colaborativa, complementar, sem abusos, sustentável e uma “simbiose
entre o homem e a terra”, no sentido de esta continuar a ser o sustento e
mais-valia económica suficiente para assegurar a manutenção e proteção dos
campos e das serras.

No entender de Olavo Câmara, são precisas mais
pessoas nas zonas rurais, precisamente para proteger o ambiente e a natureza. A
propósito, lembrou o exemplo da proibição do pastoreio nas serras da Madeira,
que, passados vários anos, continua a não ter os efeitos pretendidos,
verificando-se um aumento das plantas infestantes e do risco de incêndios.

“Quanto mais rápido percebermos que precisamos
dos agricultores, dos pastores e dos silvicultores, mais depressa teremos medidas
efetivas, eficazes e capazes de combater aqueles que são dos maiores flagelos
do nosso país: a desertificação do interior e das ilhas, grandes incêndios
florestais, grande dependência do exterior ou falta de capacidade produtiva”,
frisou.

O jovem deputado considerou ainda importante
alocar verbas do Plano de Recuperação e Resiliência para a proteção da
floresta, para a agricultura e para a manutenção da sustentabilidade ambiental.