
A Madeira ficou mais verde com a pandemia, o nível de
poluição de NO2 no Funchal sofreu uma redução assinalável sobretudo entre
meados de Março e meados de Maio, tendo os valores do dióxido de azoto caído
cerca de 60%. Este ano a redução não é tão significativa, mas existe em relação
às emissões do início do ano passado. O consumo de combustíveis também desceu
16,6%, bem como o preço destes. A Madeira produziu menos 7,2% de energia
eléctrica.
O ambiente foi um dos vários sectores analisados no âmbito do
boletim ‘Em Foco’, hoje divulgado pela Direcção Regional de estatística, que a
partir da informação disponibilizada pela Agência Europeia do Ambiente trabalhou
os dados referentes aos níveis de dióxido de azoto (NO2) presentes na atmosfera
no Funchal entre 1 de Janeiro de 2020 a 8 de Fevereiro de 2021 e comparou-os
com os 4 anos anteriores, tendo chegado á conclusão que a pandemia contribuiu
positivamente para um ambiente menos poluído. A maior diferença foi registada
entre meio de Março e meio de Maio, a coincidir com a maior percentagem de
fecho temporário de empresas e com a generalização do teletrabalho quer no
sector privado, quer no público, recorda. “. Naquele período, os valores de NO2
chegaram a ser cerca de 60% inferiores ao mínimo observado nos quatro anos
precedentes”.
A partir de Junho, a vida retomou alguma normalidade e a
estrada também, com os valores da poluição a subirem em consequência, mas ainda
assim na maior parte dos últimos sete meses do ano de 2020 abaixo do mínimo dos
últimos 4 anos.
Já em relação a 2021, até 8 de Fevereiro, há também
melhorias, quando comparado com os valores de 2020 pré-pandemia. “Os valores
estão significativamente abaixo da média de 2016, 2017, 2018 e 2019”, sublinha
o boletim.
A diminuição do dióxido de azoto não pode ser dissociada do
consumo de combustíveis fósseis, tendo o consumo de gasóleo e gasolina na
Madeira recuado em 2020 16,6% relativamente ao ano anterior. O ano até tinha
entrado com maior consumo, tendo recuado em Março 19,1%. Novamente Abril foi o mês
de maior transformação, com recuo de 59,8% no valor consumido de gasolina e
gasóleo. De Maio a Junho a Região voltou a abastecer mais, mas ainda assim
menos que em 2019. Os valores foram subindo nos meses seguintes, mantendo-se as
quebras acima dos 10%
Quanto ao preço, o mercado ditou a baixa. Em 2020 o gasóleo
desceu 11,2 cêntimos e a gasolina 10,1 cêntimo por lito. Mas não só. Segundo a
DREM, os preços médios dos dois em 2020 (1,154 euros no caso do gasóleo e de
1,373 euros no caso da gasolina) foram os mais baixos dos últimos quatro anos.
A análise mês a mês revela que desde Janeiro até Maio o
preço veio descendo, altura em que o gasóleo custava 1,084€/litro e a gasolina
de 95 octanas, 1,273€/litro. A partir de Junho, a tendência mudou e os preços
começaram a subir, não o suficiente para no final de 2020 igualar o valor com
que tinham começado o ano (1,145€/litro no gasóleo e 1,365€/litro na gasolina).
Quanto à produção de energia, a Madeira recuou em 2020,
segundo dados fornecidos pela Empresa de electricidade a Madeira à DREM foram
menos 7,2% face a 2019. Uma vez mais, sem sopresas, Abril foi o mais negativo,
com uma redução na produção de 17%. Em Maio melhorou para -15,8, tendência que
se prolongou até Setembro, em que a queda na produção teve uma variação de
-5,1% relativamente ao período homólogo. Outubro inverteu a tendência decrescente,
a variação negativa na produção foi de -7,2%, tendo depois em Dezembro recuado
para -4,8%, a quebra menos significativa desde Abril do ano passado.

