O director-geral da easyjet em Portugal criticou, hoje, o
Governo da República pelas multas que impõe às companhias aéreas, que
desembarquem passageiros em Portugal sem o devido certificado de teste à Covid.
José Lopes disse que o primeiro-ministro foi “mal informado” e que fez “declarações
injustas e não correctas”.

O administrador da easyjet falava no ‘masterclass’ que a
companhia promoveu, no Mercado dos Lavradores, no Funchal, intitulado
Recuperação do Turismo, que serviu para a empresa apresentar resultados de 2021
e perspectivas para 2022.

José Lopes estranhou ter sido o único representante de uma
transportadora aérea em Portugal a se manifestar sobre o assunto, criticando o
Governo por querer obrigar as empresas a substituírem o Estado no controlo de
saúde.

Explicou o director-geral da companhia que é muito difícil
controlar os certificados digitais. José Lopes diz que “há bastantes
certificados falsos”, mas que a companhia não pode legalmente exigir cópia de
qualquer certificado. Por isso, há passageiros a apresentarem certificados
falsos à partida, mas quando chegam a Portugal, não os apresentam às autoridades,
que podem verificar a falsificação, e declaram que não lhes foi solicitada a
apresentação de qualquer certificado.

Em consequência disso, são elaborados autos, que são
enviados à ANAC, para resultarem em multa (contra-ordenação). Ora, as
companhias não têm como comprovar que o passageiro exibiu um certificado falso.
Em alternativa, estão a solicitar aos operadores portuários locais que
apresentem um documento a atestar que verificaram todos os passageiros e
impediram o embarque a quem não apresentou certificado.

A indignação de José Lopes foi agravada pelo facto de as
multas terem sido “multiplicadas por dez”. O director-geral da easyjet deu um
exemplo. Se num voo existirem dez passageiros sem certificado válido (mesmo que
tenham apresentado um – falso - à partida), a multa pode variar entre os 200 e
os 400 mil euros. “Tem um impacto brutal”.

José Lopes revelou também que já há companhias estrangeiras,
não se encontrando a easyjet entre elas, que escreveram ao Governo da República
a dizer que “vão cancelar Faro” neste Inverno.

O director-geral da easyjet defende que seja adoptado o
modelo da Madeira. Deve ser pedido certificado à partida, mas se o passageiro chegar
sem teste realiza um no aeroporto.