Conforme noticia o DIÁRIO na sua edição impressa deste domingo, o economista e deputado Sérgio Gonçalves vai candidatar-se à liderança do PS-Madeira.
Ora, através de comunicado, Miguel Fonseca, que também anunciou a sua candidatura ao PS pela Moção Alternativa Democrática e Social, veio criticar o anúncio da candidatura de
Sérgio Gonçalves à liderança do PS e diz que esta deve ter uma consequência: demissão imediata do
presidente da Comissão Organizadora do Congresso do partido.
O deputado Sérgio Gonçalves veio hoje anunciar a sua candidatura à liderança do
PS Madeira. Saúda-se a sua declaração de candidatura. Mas anoto duas
contradições. O candidato revela a intenção de só iniciar a sua campanha a
partir de 30 de Janeiro, data das eleições legislativas nacionais, como se a
democracia interna não fosse absolutamente necessária como condição para exigir
a democracia externa. O candidato tem a legitimidade de gerir
politicamente a sua candidatura, mas, se acha que as eleições nacionais impedem
a disputa democrática interna, porque é que não se opôs, no local e no momento
próprios, à marcação das eleições
internas para 19 de Fevereiro?
A segunda contradição, segundo Miguel Fonseca, tem a ver com o 'timing' escolhido: "É que se assim é, porque é que anuncia a sua eleição agora e não
a 30 de Janeiro à noite? Pois é, a minha candidatura veio precipitar a
candidatura que se pretendia do silêncio e do poder estabelecido interno. A
resposta é óbvia. O candidato tem o apoio do “establishment”, isto é,
do poder interno instituído".
Mas a sua declaração
levanta um problema. Nos meus contactos com as estruturas do partido para o
lançamento do meu processo de candidatura, verifiquei que o presidente da COC
tem a mesma posição deste candidato, isto é, que não é curial que a disputa
interna se desenrole antes de 30 de Janeiro: O que significa que, para os
contactos com os militantes, tendo as eleições internas sido marcadas para 19
de Fevereiro, só restariam cerca de duas semanas e meia. O que isto revela é que há uma tentativa de
congelamento do processo eleitoral interna pelas estruturas que deviam manter a
isenção no processo eleitoral. Um congelamento da democracia interna, por
suposta contradição com a democracia externa, e ao
serviço de uma candidatura forjada no silêncio dos deuses.
Por essa razão, em
carta ao presidente da COC, enviada ainda antes deste anúncio de candidatura de
Sérgio Gonçalves, Miguel Fonseca diz ter colocado a questão
de ponderar a sua demissão, uma vez que não concordava com o desenvolvimento
livre de candidaturas antes de 30 de Janeiro: "E agora percebe-se porquê, quando
a Comissão Regional, ao marcar as eleições internas para o dia 19 de Fevereiro,
tinha desencadeado o processo eleitoral interno".
Perante as
circunstâncias, exijo, peremptoriamente, que o presidente da COC apresente a sua
demissão da função que ocupa, sob pena de termos eleições internas sob o signo
da desigualdade de candidaturas, o que é impróprio de um partido como o PS.
Sobre os apoios, Miguel Fonseca diz que conta com "os nomes dos militantes anónimos deste partido que deram a cara nos tempos difíceis pelas causas da liberdade e da democracia, que são as marcas de água do PS".

