Depois de, na segunda-feira, ter
afastado a possibilidade de actualizações generalizadas no próximo ano, a ministra
da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão, apresentou
na quarta-feira uma proposta de aumentos salariais de 0,9% para 2022 para a
função pública.
Ou seja, em Janeiro, está
previsto o aumento do salário mínimo nacional, que actualmente é de 665 euros,
que terá também reflexo na Administração Pública, estando ainda sobre a mesa a
valorização das remunerações de entrada no Estado (cerca de 1.200 euros brutos)
para os técnicos superiores.
Mas estes valores ficam muito abaixo
do pretendido pelos sindicatos, conforme adianta ao DIÁRIO o coordenador da
União dos Sindicatos da Madeira, Alexandre Fernandes, que acusa o Governo da
República de continuar a brincar com os trabalhadores. “Isto não é uma proposta.
Isto é uma fantochada. É um gozo com os trabalhadores da função pública que em
12 anos não tiveram qualquer aumento salarial. É uma proposta que não vem
regularizar aquilo que tem sido a perda do poder de compra dos trabalhadores da
Administração Pública”.
O sindicalista refere que as
reuniões com o Governo da República nada têm de processo negocial, isto porque
é apenas uma das partes que toma as decisões. Lembrar que a Frente Sindical
representada pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) reivindica
aumentos de 3% para o próximo ano, enquanto a Federação Sindical dos Sindicatos
da Administração Pública (Fesap) exige uma actualização de 2,5% e a Frente
Comum 90 euros para todos os trabalhadores.
Alexandre Fernandes considera,
no entanto, que o aumento do salário mínimo é positivo, “é claro”, mas não com
a proposta nacional de 40 euros, que o Governo Regional depois acompanha com um
acréscimo relativo à insularidade. “A USAM aponta sempre para um acréscimo de 7,5%
com o Governo Regional a apontar para os 2%”, lembra.
A valorização vai acabar por
acontecer apenas ao nível dos trabalhadores do salário mínimo quando temos vários
profissionais de vários sectores que “se sentem desvalorizados”. “Temos a noção
de que as condições económicas impõem algumas restrições (…), mas é sempre o
mesmo argumento que o Governo usa” para justificar aumentos com percentagens
tão mínimas.
Para o coordenador da União de
Sindicatos da Madeira, o aumento salarial para os trabalhadores da função
pública poderia ser facilmente compensado, por exemplo, com o aumento de 0,1% do
imposto sobre as transações em bolsa. “Só com este 0,1% iam buscar mil milhões
de euros”.
Por outro lado, para além das
questões que agora se colocam aos trabalhadores visados com este aumento salarial,
o sindicalista traça também um cenário pouco positivo para os trabalhadores do
sector privado. “Queremos que as actualizações cheguem a todos os salários” e
isso efectivamente não tem acontecido.
De acordo com dados do
Ministério, em 2021 houve aumentos de 20 euros para a primeira remuneração base
da função pública, para os 665 euros (valor igual ao do salário mínimo
nacional) e em 10 euros para os salários que se situavam entre os 665 e os
791,91 euros, abrangendo todos os trabalhadores com salário inferior a 800
euros, o que se traduziu em 148 mil trabalhadores abrangidos e numa despesa de
41 milhões de euros.
