Eduardo Jesus entregou, esta tarde, na
Casa-Museu Frederico de Freitas, o Prémio de Arquitectura da Madeira e Porto
Santo, uma distinção que tem este ano a sua primeira edição, promovida pela
Secção Regional da Madeira da Ordem dos Arquitectos (SRMAD), com o apoio da
Secretaria Regional do Turismo e Cultura, que visa dignificar a arquitectura e
valorizar o trabalho dos arquitectos regionais.

O projecto ‘Casas da Vargem’, na Calheta, da
responsabilidade dos arquitectos Carolina Sumares e Rik den Heijer, do Studio
Dois Arquitectura, foi o grande vencedor de entre os 15 concorrentes.

Para Carolina Sumares, co-autora ganhadora, a
distinção hoje entregue representa o reconhecimento do trabalho que tem sido
feito pelo seu gabinete de arquitectura.

Realçando os cuidados tidos com a escolha de
materiais naturais e locais, integrando a construção no ambiente, a arquitecta
não deixou de notar que a construção está hoje mais cara devido às condicionantes
da pandemia covid-19 na produção e acesso aos materiais.

Ainda assim, os trabalhos não têm faltado,
notando uma procura crescente por projectos sustentáveis e integrados na
paisagem.

Já o secretário do Turismo e Cultura, na
cerimónia da entrega dos prémios, fez questão de realçar as qualidades dos
trabalhos distinguidos, bem como referir a importância de distinções desta
natureza para incentivar a construções equilibradas e devidamente integradas no
meio.

Logo após a entrega dos prémios foi inaugurada
uma exposição com as obras concorrentes naquele espaço, e que ficará aberta ao
público todo o mês de Outubro.

Arquitectura em destaque durante o mês de
Outubro

A cerimónia de entrega do Prémio de
Arquitectura da Madeira e Porto Santo insere-se nas comemorações do Dia Mundial
da Arquitectura, que na Região serão desenvolvidas ao longo deste mês de
Outubro pela Secção Regional da Madeira da Ordem dos Arquitectos, e que vai
contar, nos próximos dias, com uma visita guiada à obra da Caixa de Previdência
do prestigiado arquitecto português Chorão Ramalho. A visita será orientada
pelo arquitecto Rui Campos Matos, no dia 15 de Outubro, a partir das 17h30.

Este ano, as celebrações do Dia Mundial da
Arquitectura têm como tema o ‘Ambiente limpo para um mundo saudável’.

Para a próxima sexta-feira, dia 8, está
prevista a inauguração da exposição ‘Vila, do Tempo e do seu Desenho’, com
curadoria do arquitecto Pedro Gonçalves. A mostra pode ser visitada pelo
público a partir da próxima semana, na sede da Ordem dos Arquitectos na
Madeira.

Ainda esta semana, nos dias 6 e 7, os
interessados em adquirir livros ou catálogos de arquitectura a preços
reduzidos, poderão fazê-lo, entre as 10 e as 13 horas, na sede da delegação da
Ordem na Madeira, à rua dos Netos, n.º 16, 2 º andar.

‘Casas da Vargem’ preservam relação com espaço
envolvente

O projecto da responsabilidade da Studio Dois
Arquitectura agora premiado, ‘Casas da Vargem’, duas casas de férias no
concelho da Ponta do Sol, resultou do aproveitamento de um terreno situado numa
zona alta, com uma vista privilegiada para o mar e para o planalto do Paul da
Serra, onde antes existiam construções em pedra com uma volumetria muito
semelhante.

A relação da nova construção com a sua
envolvente foi o ponto de partida para este projecto vencedor, dando ênfase ao
facto de estar rodeada por uma área agrícola de bananeiras e casas
unifamiliares de dois e três pisos.

Os espaços interiores acompanham o perfil
natural do terreno, permitindo que todos as áreas tenham uma ligação directa
com o exterior, com os pátios e jardins, criando diferentes níveis de
privacidade e jogos de luz e sombras. As zonas ajardinadas dos pátios e
terraços tornaram-se o elemento predominante, mesclando a construção com a
envolvente.

Na escola dos materiais foi dada primazia aos
elementos naturais como a madeira, utilizada nos pisos interiores, e materiais
locais como a pedra utilizada à vista nas fachadas das construções
pré-existentes, o calhau rolado nas coberturas e os pisos exteriores em calçada
de basalto.

Foi dada especial atenção à ventilação dos
espaços, com ventilação cruzada e zonas de sombreamento, de forma a manter o
interior fresco sem necessidade de sistema de ar condicionado. O isolamento das
paredes é feito pelo exterior e os vidros são duplos.