Hoje, a Igreja Diocesana do Funchal, reunida para acolher as relíquias do seu padroeiro, celebra a dedicação da sua Catedral e encontra-se particularmente unida à Igreja Universal, que em todas as dioceses do mundo inicia o caminho de preparação do Sínodo dos Bispos de 2023.
Palavras do bispo do Funchal na celebração do acolhimento das relíquias de São Tiago Menor, que é simultaneamente a data em que se assinala o 504 anos da bênção Sé do Funchal e a
abertura do Sínodo na Diocese do Funchal - com o tema da Sinodalidade: comunhão,
participação e Missão - conforme exalta D. Nuno Brás na sua homilia.
Sobre S. Tiago Menor, padroeiro da Diocese do Funchal há 500 anos, releva o Bispo que "S. Tiago não é
só aquele que, há 500 anos, foi escolhido como padroeiro da Diocese do Funchal.
S. Tiago é, também, aquele que, sendo da família de Jesus, com Ele partilhou,
há 2 mil anos, os caminhos da Galileia e da Judeia, escutando os ensinamentos
do Senhor, presenciando os seus milagres, numa autêntica comunidade de vida. É
ainda um daqueles a quem o Senhor apareceu ressuscitado, cheio da vida divina,
depois de ter sofrido a Paixão" e ainda "o primeiro bispo de
Jerusalém" e "um dos primeiros mártires de Cristo,
oferecendo a vida como testemunho da verdade de Jesus".
"As suas relíquias
encontram-se hoje entre nós e irão percorrer a nossa Diocese. Queremos
acolhê-las, juntamente com o testemunho de fé que elas nos oferecem", sublinhou a propósito das relíquias que vão percorrer o Arquipélago da Madeira, entre a partir deste domingo, dia 17 de Outubro e até dia 6 de Novembro.
A homilia é também marcada por uma reflexão sobre a origem da fé cristã.
A nossa fé é a fé dos Apóstolos. É a fé da Igreja. A fé que
vivemos poderá ter — tem! — expressões próprias das gentes que nesta Ilha
vivem. Mas não fomos nós que criámos a fé que professamos e vivemos (...) A fé cristã tem expressões diferentes, segundo as
diferentes culturas dos povos onde ela chegou e que nela vivem. Mas o seu
conteúdo, o seu núcleo central e essencial é a fé apostólica. E nós, madeirenses, não queremos outra. Não nos procurem
impor outra fé, nem nos obriguem a expressões que modifiquem a fé que foi
transmitida, de geração em geração, desde a Igreja dos Apóstolos aos nossos
dias.
Sobre o aniversário da benção da Sé, recorda D. Nuno que "foi em 18 de outubro de 1517 que D. Duarte, bispo
de Dume, a dedicou solenemente".
As paredes desta igreja — a “Igreja Grande” do
Funchal — são testemunhas de grande parte da nossa história. Mas esta igreja, de que hoje celebramos a dedicação, não
é apenas testemunho do passado. É sinal, presença, da Igreja que somos: Povo de Deus reunido
em Cristo".
Sim, esta Igreja
Catedral fala também da Diocese que somos. Mostra que não somos apenas herdeiros de uma tradição
gloriosa, ainda que manchada pelo pecado e pelas falhas de tantos cristãos.
Esta Catedral proclama que hoje, em 2021, no meio da nossa cidade e da nossa
Ilha, somos e queremos ser, cada vez mais, como as pedras sólidas e belas deste
templo. Somos e queremos ser, cada vez mais, o corpo de Cristo, de braços
abertos à cidade, de portas escancaradas, que a todos acolhem.
Sobre o Sínodo dos Bispos, aberto há uma semana pelo Papa Francisco, e na mesma linha do 'convite' do chefe da Igreja Católica, que chamou “todos os baptizados” a darem opinião sobre o futuro da Igreja Católica, refere D. Nuno Brás:
O Papa Francisco
convidou-nos ainda a que hoje começássemos, juntamente com as dioceses do mundo
inteiro, a preparar os caminhos do futuro. O Sínodo dos Bispos de 2023, quis o Santo Padre que
recolhesse, mais que o habitual, o sentir de todo o povo de Deus. Um povo que
percorre em conjunto o caminho que é o próprio Cristo (...) Hoje, o Papa convida-nos a, sem perder esta consciência
de termos nascido no momento da Paixão do Senhor, olharmos para o futuro,
caminhando juntos, alimentados pela Eucaristia, de modo a que muitos outros
possam também descobrir e encontrar Jesus ressuscitado.

