É importante regressar às aulas presenciais logo que
possível, defendeu uma professora do 3.º Ciclo e mãe de dois, reagindo à
notícia de que o Governo Regional deverá prolongar o ensino à distância para este
nível de ensino e Secundário pelo menos até às férias de Carnaval. Este
sistema, além de não ser tão produtivo permite que os alunos menos
comprometidos com a aprendizagem enganem os professores e os pais, alegando
problemas e falhas técnicas para não participar nas aulas e por vezes nem estar
presentes.
O modelo adoptado, sendo a solução possível num contexto de aumento
do número de casos de covid-19 e necessidade de controlo da propagação do vírus,
“não é muito produtivo para o aluno, nem para o ensino”, avaliou a professora.
O novo método ensino à distância permitiu a inclusão de
novas ferramentas e materiais diversificados para tornar o processo mais
interactivo e dinâmico. “É uma mais-valia, é excelente para captar a motivação
e atenção do aluno”, sublinha Nádia Velosa. Mas depois, em contrapartida, como
o tempo de aula reduziu e o número de alunos por turma se mantém, tona-se
difícil acompanhar. “Estar numa aula assim, com tantos alunos, nós não
conseguimos controlar”, admitiu a docente. Há casos em que são 25 alunos por
sala. Numa escola, numa sala de aula real o professor tem o máximo controlo
possível. Numa sessão online, as coisas complicam-se. E os problemas não são
apenas o grande número de alunos e o pouco tempo de aula, revelou.
“ A meio da aula eu dou-me conta de que o aluno a nível da plataforma
está lá, está activo, como se estivesse presente, só que na realidade ele não
está”, exemplifica, demonstrando uma das frustrações de gerir uma sala de aula
virtual. “Alguns não usam a câmara, eu não consigo ver”. Em outras ocasiões,
diz ainda, os alunos apontam falhas técnicas, reais ou inventadas, para não acompanhar
a aula. E há pais e alunos que têm problemas a nível financeiro, que não têm os
equipamentos adequados e não conseguem acompanhar.
“Não há como ter uma aula presencial. O sistema tem falhas,
para que as coisas funcionassem melhor, teria que haver um avanço também nesse
sentido”. No entanto, “atendendo ao aumento exponencial de casos de covid e sabendo
que há na Região a nova estirpe inglesa, o melhor é os miúdos não estarem
presencialmente na escola”, admitiu Nádia Velosa, reconhecendo a dicotomia da
sua posição. “É como o médico. O médico diz: ‘Atendendo ao grande número de
contágios, o melhor é estar confinada em casa’. Ele tem razão. Só que depois
sabemos que ao nível económico as coisas não se processam dessa forma. E não
podemos continuar neste sistema, porque vai acabar por haver um colapso”.
Sem solução perfeita à espreita, o ideal, como professora
era que os pais conseguissem acompanhar os filhos nas aulas online, estando
presentes ao seu lado, sobretudo no caso dos de 3.º Ciclo. Mas como mãe sabe
que isso não é possível na maioria dos casos. “Eu sei o que eu tenho passado”,
confessou. “Às vezes eu tenho de dar aulas em simultâneo e eu não posso ajudar”,
dá como exemplo, em ralação aos seus filhos.
“Os miúdos às vezes aproveitam-se, inventam que tiveram
falhas técnicas, os pais acreditam, não vão às aulas, às vezes vão às aulas e não
fazem os trabalhos pedidos”. Quanto menos tempo estiver em vigor este modelo,
melhor para todos, defendeu a professora.

