Os resultados obtidos por João Ferreira foram considerados
positivos pela mandatária deste na Madeira, Ana Salgueiro, que viu com
apreensão a subida da direita mais extrema na Região, a investigadora e
professora universitária garantiu que o projecto do candidato a presidente da
República apoiado pelo Partido Comunista Português não se esgota nesta eleição
e que vão continuar a trabalhar para defender as causas e os valores que
marcaram a campanha.

Ana Salgueiro começou por saudar a forma “a forma
extremamente madura” como os cidadãos exerceram o seu direito de voto e agradeceu
aos que se envolveram mais directamente para que o processo corressem bem neste
contexto de pandemia, para depois passar à análise dos resultados obtidos por João
Ferreira na Região. O candidato do PCP ficou em último lugar em quase todos os
concelhos. Só na Ribeira Brava foi penúltimo, ocupando o sexto lugar à frente
de Tiago Mayan Gonçalves, e no Porto Moniz, em antepenúltimo, à frente de Vitorino
Silva e de Tiago Mayan Gonçalves. Ainda assim, Ana Salgueiro acredita que foram
positivos, tendo em conta a exposição mediática que João Ferreira teve e a
opção por novos meios de campanha.

Em termos de projecção mediática acredita que teve menos
visibilidade do que outros e ainda assim “ele conseguiu de facto ascender em
termos de resultados previstos e obtidos”, disse a mandatária da Madeira,
recordando que estas foram eleições realizadas num contexto particular. O eleitorado
apoiante de João Ferreira, continuou, “é um eleitorado com particularidades
muito específicas” e que os resultados “à primeira vista podem decorrer em
certa medida do facto de esta campanha ter apostado muito nas redes sociais e
em mecanismos de comunicação que se calhar o eleitorado tradicional, que
votaria em João Ferreira, pode não estar à vontade no contacto com esses
dispositivos.”

João Ferreira foi um dos menos votados na Madeira, conseguiu
1.855 votos. Mas o compromisso do PCP e do candidato não é apenas para esta eleição,
sublinhou a mandatária e que João Ferreira “continua no activo para tentar dar
um contributo válido para que a República Portuguesa crie condições ou mantenha
condições para que a vida em sociedade seja mais justa e mais igualitária”.

Preocupada com os resultados conseguidos pelo Chega, que
ficou em segundo lugar na Madeira, Ana Salgueiro colocou a responsabilidade
também em quem colocou a cruz em André Ventura:

“ Nós não podemos constantemente a depositar a
responsabilidade, boa ou má, nos candidatos. Temos de olhar também para os
eleitores. E eu não sei se a grande maioria das pessoas que votaram em André
Ventura têm consciência em que é que resultaria para a República Portuguesa se
André Ventura efectivamente alcançasse o seu objectivo máximo”, ou seja,
continuou, se as pessoas que votaram no líder do Chega na Madeira têm consciência
do que é que representaria para a Região “uma eventual vitória presidencial”
deste candidato.