O deputado do PS-M à Assembleia da
República, Carlos Pereira, defendeu esta quarta-feira a importância de haver um entendimento
alargado em torno do Plano de Recuperação, tendo em conta a conjuntura que o
País atravessa.
Falando há pouco no encerramento do debate sobre o Plano de
Recuperação, que contou com a presença do primeiro-ministro, o também vice-presidente
da bancada parlamentar do PS referiu que "o tremendo clima de incerteza que a
crise pandémica provoca e a degradação progressiva e abrupta dos indicadores
económicos e sociais exige de nós uma nova atitude, um novo homo politicus".
[Tem de haver uma capacidade extrema
para] "deixar cair as divergências políticas e romper com preconceitos
ideológicos, para olhar com dignidade e sentido de responsabilidade o nosso
Portugal real. Acreditamos que temos o dever de cuidar do país com genuíno
sentido patriótico, sobretudo daqueles que sofrem, dos que desesperam, dos que
choram os entes queridos, dos que têm medo da pandemia mas também de perder o
emprego ou fechar a empresa ou não ter dinheiro para pagar as contas".
Diz o parlamentar madeirense que divergir incondicionalmente
no essencial do Plano é comprometer a sua execução rápida e eficaz, mas também
é reduzir a força do país na defesa dos nossos interesses em Bruxelas.
"Não
falharemos enquanto nação, mas seremos mais ou menos bem-sucedidos se
superarmos juntos ou em divergência, respectivamente, esta colossal prova de
capacidade e inteligência"
Tal como afirmou o deputado, foi tendo presente este contexto
que, desde a primeira hora, "o Governo conduziu um processo de construção de um
Plano sem identidade partidária".
Carlos Pereira vincou que, na senda da construção da
convergência, o Grupo Parlamentar do PS transportou o debate para a Assembleia
da República para ouvir o autor do programa e os responsáveis políticos, além
de ter proposto a criação de uma Comissão Eventual para que todos possam
acompanhar a sua execução.
"Estarmos juntos e em convergência significa também dizer não a
condicionalidades impostas pela União Europeia e contribuir para estabelecer
metas, prioridades e objectivos. Somos nós e não os outros, que vêm de fora, que
estabelecem os parâmetros que defendem os portugueses. Estarmos juntos
significa também envolver o país inteiro na execução do Plano, descentralizando
e dando mecanismos para que, ao nível infra-estadual, da Região e da autarquia,
por exemplo, não haja nenhum vazio operacional. Estarmos juntos quer dizer que
somos capazes de convergir na remoção dos obstáculos à execução deste programa
ambicioso que triplica os meios financeiros disponíveis por ano".
Por outro lado, o vice-presidente da bancada socialista alertou
que a agenda do Plano de Recuperação é exigente e apertada, sendo que "não há
tempo para discussões intermináveis, mas há espaço, da parte do Grupo
Parlamentar do PS, para que possamos convergir no interesse do país".
"Os
portugueses exigem essa disponibilidade", concluiu.