São actos que se repetem ao longo da vida e que, para cada um, tem um significado especial. Acaba por ficar enraizado, fazendo crer que dá
sorte ou afasta o azar. Ou é, simplesmente, um gesto de conforto.

Conheça
algumas curiosidades sobre pilotos e co-pilotos desta 61.ª do Rali Vinho da
Madeira (RVM).

Capacete
com história(s)

Foto DR

Victor Calado leva no seu capacete parte da história da sua
carreira no automobilismo. Em destaque está a famosa frase de
Colin McRae “If
in doubt, flat out” (na dúvida, ‘prego’ a
fundo). Tem ainda excertos de notas de classificativas dos Açores, campeonato
onde participou na época passada, o nome dos elementos da equipa, e três
estrelas com as datas referentes aos campeonatos absolutos que conquistou como
navegador (2010, 2012 e 2018), no Campeonato de Ralis da Madeira.

No capacete está também a sua mascote desde sempre, o Marsupilami, personagem
de banda desenhada franco-belga. Neste regresso ao
RVM, ao lado do piloto João Silva, Victor Calado encontrou um cantinho especial
para Marsupilami. O boneco também vai “fazer” o rali no Skoda Fabia R5 Evo.

150 ralis com o mesmo relógio

Foto Hélder Santos / ASPRESS

O relógio foi oferecido pela mãe, quando fez 18 anos e desde então tem
acompanhado Bruno Magalhães em todas as provas. “Fiz os ralis todos da minha vida
com ele. Já lá vão 150 ralis”, revelou o piloto que tem uma ligação especial ao
RVM:

“O meu primeiro rali no campeonato nacional foi na Madeira,
já lá vão 21 anos. Foi um sonho, com 19 anos e logo a estrear-me num rali
destes. Desisti no último troço, parti os pernos numa roda, numa travagem no
Chão da Lagoa e de repente travei e uma roda continuou. Foi um desgosto na
altura, estávamos a fazer um bom rali, creio que estávamos em terceiro ou
quarto do grupo N. O meu pai também fez esse rali. Ficámos todos tão tristes
com o que tinha acontecido que no rali a seguir o meu pai deu-me o carro dele,
o Mitsubishi, que era muito melhor do que o meu, o Escort. Eu comecei a correr
e ele deixou de correr.”

O abraço do pai antes
de ir para a estrada

Foto Facebook João Silva

João Silva tem sempre muito apoio por parte da claque
‘Yellow Power’ formada por familiares e amigos da equipa que acompanham o
piloto nas provas. Mas na hora de ir para a estrada tem direito a um abraço
especial. A última pessoa de quem se despede é do seu pai. Foi um ritual que
ficou e que procura cumprir.

Miguel Nunes e o
segundo 13

Foto Rui Silva / ASPRESS

Miguel Nunes não se considera supersticioso mas revela uma
‘mania’ que acabou por adquirir, embora não o faça em todos os ralis. “Eu gosto
do número 13, por isso, havia uma altura em que engrenava a primeira, quando
estávamos para arrancar para os troços, no segundo 13. Mas nem sempre faço
isso.”

A roupa interior de Inês
Ponte

Inês Ponte começou a fazer ralis aos 16 anos e desde então
iniciou uma superstição: “Usava sempre a mesma roupa interior nos ralis, devidamente
lavada após cada prova (risos).” Mas depois do acidente que sofreu ao lado de
José Pedro Fontes, em 2017, o ciclo foi interrompido. “Tiveram de cortar tudo,
no hospital. Eu ainda implorei para não o fazerem, mas era impossível e
deitaram fora. O acidente foi um susto, pensei que não poderia voltar mais e
que iria ficar com lesões para o resto da vida. Mas felizmente recuperei
milagrosamente, os médicos não sabem bem como, e não tenho qualquer mazela”.

No regresso à competição, Inês Ponte voltou a dar continuidade
ao ritual da roupa interior, agora com outras peças, mas seguindo a mesma
‘tradição’.

Bater à porta para ir
à casa de banho

A co-piloto revelou ainda uma curiosidade sobre a sua
participação nas provas. “Durante as classificativas, as mulheres têm sempre
mais problemas quando precisam ir à casa de banho. Na Madeira já aconteceu
várias vezes bater à porta de alguém e pedir para usar a casa de banho, porque
nem sempre há uma árvore ou um sítio ao ar livre que facilite o processo. As
pessoas ficam surpreendidas, mas até hoje nunca me negaram entrada (risos).”

Imagem de protecção

Rui Rodrigues faz, este ano, o RVM ao lado de Pedro Coelho.
O navegador tem uma imagem que lhe foi oferecida antes do RVM 2012 e que o
acompanha desde então, em todos os ralis e na vida.