A ALBOA,
Associação dos Lesados do Banif, contesta o Relatório Baker Tilly, encomendado pelo Banco de Portugal, e apela ao novo Governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, para que
se promova uma avaliação séria e independente da
Resolução daquele banco e da sua declaração de falência.

"O Tribunal de
Contas concluiu recentemente que o Fundo de Resolução -
instrumento responsável pelo planeamento e pela intervenção em
bancos em dificuldades - não está a conseguir ser independente do Banco de
Portugal, o que levanta questões de conflito de interesses", diz através de um comunicado de imprensa.

No seu entender, "faltará um
modelo que assegure essa independência, nas suas funções de planeamento e
aplicação de medidas de resolução, para evitar potenciais conflitos e
interesse com outras áreas, concluindo assim o Tribunal de Contas que a
Autoridade Nacional de Resolução é, na prática, um dos departamentos
do Banco de Portugal".

"Praticamente
cinco anos depois da medida de resolução do Banif, o Banco de Portugal
divulgou o Relatório que encomendou à consultora Baker Tilly. Ou melhor, um
resumo desse Relatório. Tendo a
ALBOA, como parte interessada, pedido o acesso ao Relatório integral,
informou agora o Banco de Portugal que tal não é possível porque é necessário, para esse efeito, assegurar que não é divulgada
nenhuma informação que mereça protecção à luz de regimes especiais
de segredo, tais como dados pessoais ou dados que constituem segredo
bancário, o que exige também uma consulta junto de
entidades relevantes (o Banif, em liquidação, o Banco Santander Totta e a
Oitante)", sustenta.

O que significa, conforme refere, que "remete o acesso ao Relatório para um futuro indefinido". "Mais cinco anos?", questiona.

Por isso, apela publicamente ao novo Governador do Banco de Portugal "para que coloque alguém da sua confiança a analisar em
detalhe esta avaliação (de que só se sabem excertos), os seus pressupostos, as
suas conclusões e os eventuais interesses associados, para que de uma forma
clara e precisa se esclareça o processo Banif (onde o Estado detinha a maioria
do capital) e se determine o justo valor de recuperação dos Lesados daquele
Banco que, em última análise, são Lesados do próprio Estado".