O Grupo Parlamentar do Partido Socialista da Madeira
entregou, na Assembleia Legislativa da Madeira, um voto de louvor ‘À Tradição
dos Fachos de Machico’, após ter vencido a fase de apuramento regional, do
concurso ‘As 7 Maravilhas da Cultura Popular’, o que muito orgulha toda a
Região Autónoma da Madeira, em especial a população de Machico.

Os fachos, uma tradição secular que faz parte da cultura
popular machiquense e que está enraizada nas gentes de Machico, eleva o
património cultural e imaterial do concelho.

Segundo reza a história, os moradores faziam pequenas
fogueiras para alertarem a população da proximidade de ataques piratas. Única
na Madeira, esta tradição está associada à Festa do Santíssimo Sacramento que
ocorre, no último fim de semana de agosto. No sábado, véspera daquela Festa, os
fachos iluminam as encostas do Vale de Machico, num espetáculo cheio de
emotividade, humanismo e de um profundo sentimento de religiosidade.

As encostas do Vale de Machico são como que invadidas por
tantos homens, num labor incansável, que, ano após ano, fazem com que este
momento simbólico permaneça no tempo.

Esta tradição cujos primórdios se perdem no tempo, subsiste
nos dias de hoje mantendo essa identidade tão ‘nossa’ e que se repete,
anualmente, num ato marcado de forma discreta pela competição saudável na
comunidade local e pela preservação da memória ancestral.

Os fachos materializam ícones religiosos como a custódia,
as cruzes, o cálice, os peixes, os barcos (caravelas e a traineira) e outros
objetos mutáveis no tempo, associados aos hábitos e costumes da antiga Vila de
Machico. No passado, estas formas figurativas eram (re)construídas com varas de
madeira. Atualmente, esta prática ritual foi substituída por estruturas
metálicas que permanecem inalteráveis ano após ano. Esta mudança favorece o
trabalho voluntário, havendo apenas que criar um perímetro de segurança em
torno do facho, por forma, a evitar possíveis focos de incêndio em mato.

A aproximação da hora do acender dos fachos congrega
milhares de pessoas, locais e forasteiros, que nesta noite invadem os espaços
públicos do centro e periferia da Cidade de Machico para assistirem a uma
tradição única na região.

Soa o búzio, junto aos fachos, sendo estes acesos pelas 21
horas, queimam durante cerca de trinta minutos, sensivelmente.

Assim, louvamos esta tradição
secular machiquense muito enraizada na sua população, por toda a sua história e
exclusividade, que tanto enaltece o património cultural e imaterial do
concelho.