O deputado do PSD eleito pelo círculo da Madeira à Assembleia
da República, Sérgio Marques, está satisfeito com a aprovação do Fundo de
Recuperação Europeu, esta madrugada, em Bruxelas, que reserva para Portugal um envelope
financeiro na ordem dos 15,3 mil milhões de euros.

“É um enorme sinal de esperança relativamente ao
futuro, e de que a União Europeia está bem viva e atenta às necessidades dos
cidadãos europeus, em particular daqueles que foram mais atingidos pelo tsunami
pandémico”, começou por dizer ao DIÁRIO o antigo secretário regional dos
Assuntos Parlamentares e Europeus, enfatizando que este “excelente sinal transmite
esperança, confiança, sensibilidade e atenção com aqueles que foram mais
atingidos pela crise pandémica, seja ao nível das empresas, seja ao nível das
famílias e dos Estados. E é também um sinal de liderança por parte de da UE”.

Sobre o
total de 45,1 mil milhões que caberão a Portugal – 15,3 mil milhões de
transferências a fundo perdido, provenientes do Plano de Recuperação Económica,
mais cerca de 30 mil milhões referentes ao Quadro Financeiro Plurianual ,
Sérgio Marques qualifica a negociação como “excelente” e “uma excepcional
quantidade de recursos” que servirão para recuperar da crise e “até arrancar em
novos moldes, tendo em conta as novas prioridades, nomeadamente em termos da
transição digital e da transição energética para um mundo mais sustentável,
mais verde”. Isto, claro, além de apoios sociais para combater desigualdades
que resultarão da crise económica.

A Portugal cabem ainda mais dez milhões a título de empréstimo.

Já no que
se refere à Madeira, o antigo eurodeputado estima que a Região “possa vir a
beneficiar de um pacote de fundos muito significativo, à volta dos 1.700
milhões de euros - se somarmos todas as
componentes de fundos que virão do Fundo de Recuperação e do Quadro Financeiro
Plurianual. Podemos estar a falar de uma verba a este nível”, disse. Esta
quarta-feira, a Comissão dos Assuntos Europeus, da qual o social-democrata faz
parte, vai reunir com a secretária de estado dos Assuntos Europeus e com o ministro
dos Negócios Estrangeiros e a verba a transferir para a Madeira será um dos
assuntos em cima da mesa.

Sérgio
Marques sublinha que a “a incógnita que ainda existe neste momento, é qual vai ser
o envolvimento das Regiões Autónomas na elaboração desse plano [Plano de
Recuperação a ser apresentado em Bruxelas, que já conta com um contributo do
engenheiro António Costa Silva
]. Porque não pode, obviamente, ser um plano
restrito à parte continental do país, tem que envolver a Madeira e os Açores.
Há que trabalhar ainda essa componente do plano, que tem de ser trabalhada
entre os dois governos, os governos regionais e o da República. Com espírito
cooperativo e de entendimento”, opinou ainda o deputado, lembrando que Portugal
nunca recebeu tanto dinheiro: “Estamos a falar de um pacote global de 55 mil milhões
que é mais de metade do que Portugal já recebeu desde a sua adesão em 1986 à
UE. É, de facto, uma excepcional oportunidade que o país vai ter nos próximos
anos para se desenvolver, modernizar, e para recuperar da crise profunda que
neste momento regista”.