O primeiro-ministro, António Costa, reiterou hoje em
Bruxelas o desejo num "acordo rápido" em torno da proposta de
relançamento da economia europeia, fazendo votos para que o Conselho não perca
tempo, até porque a proposta sobre a mesa é "excelente".

"Nós temos uma excelente proposta da Comissão. O
presidente do Conselho fez um grande trabalho para acomodar as diferentes
críticas dos diferentes Estados-membros. Agora, cabe ao Conselho não adiar, não
perder tempo, e tomar as decisões que rapidamente são necessárias para
responder àquilo que é a urgência para a economia, para o emprego, para a
recuperação económica da Europa", declarou.

António Costa falava à chegada à sede do Conselho Europeu,
na capital belga, para a primeira cimeira presencial de líderes desde que a
pandemia da covid-19 atingiu a Europa.

Ainda sem a presença de jornalistas, devido às medidas de
precaução face à covid-19, à medida que vão chegando ao Conselho, os chefes de
Estado e de Governo dos 27 vão prestando curtas declarações registadas pelas
câmaras dos serviços audiovisuais instituição, e nalguns casos também em
inglês, como foi o caso de António Costa.

Na quinta-feira à noite, à chegada a Bruxelas, Costa disse
esperar que a cimeira que hoje começa seja conclusiva, afirmando que, pela sua
parte, está pronto a aceitar a proposta atualmente sobre a mesa.

O primeiro-ministro considera que a mais recente proposta
colocada sobre a mesa pelo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel,
"é uma proposta muito equilibrada, que, além daquilo que já tinha sido
proposto pela Comissão, procura ir ao encontro das resistências que uns e
outros tinham apresentado", pelo que espera "que se possa estabelecer
ao longo deste fim de semana o consenso necessário para que possa ser
aprovada".

"No que diz respeito a Portugal, as duas questões que
ainda estavam em aberto -- uma ainda relacionada com uma redução nas verbas do
segundo pilar da Política Agrícola Comum (PAC) e outra com o cofinanciamento
para as regiões autónomas -- ficaram agora resolvidos durante a tarde, e
portanto, da nossa parte, estamos em condições aliás de entrar no Conselho e de
aprovar a proposta do presidente Charles Michel", adiantou.

Costa especificou que, no "envelope nacional"
destinado a Portugal "havia uma divergência relativamente à componente do
desenvolvimento rural" e ainda "um problema específico com a taxa de
financiamento das regiões autónomas e com o problema específico das regiões autónomas",
mas revelou que, em contactos mantidos durante a tarde com Charles Miches,
esses problemas foram "ultrapassados".

Nesta cimeira, os 27 vão tentar chegar a um compromisso em
torno do orçamento da UE para 2021-2027 e o Fundo de Recuperação para
ultrapassar a crise socioeconómica provocada pela pandemia. A mais recente
proposta de Charles Michel contempla um quadro financeiro plurianual no
montante global de 1,07 biliões de euros e um Fundo de Recuperação de 750 mil
milhões, com 500 mil milhões a serem desembolsados a fundo perdido, tal como
propôs o executivo comunitário.