O mar é grande e, há que ir e voltar. A precepção da importância ecológica e económica do mar tem vindo a avançar numa navegação nem sempre linear com algumas tormentas e grandes calmarias embaladas ao ritmo de umas ondas, nem sempre alinhadas com as correntes.

O conhecimento do papel do mar oceano enquanto elemento biofísico fundamental para o equilíbrio do planeta apela a uma melhor governação e utilização do mesmo, sob pena de se perderem funções ecológicas importantes, para a natureza e, sobretudo para a economia, ou ecologia humana como muitas vezes é confundida.

Sequestro de carbono em grau inúmeras vezes superiores ao somatório de todas as florestas, fonte de recursos alimentares, minerais, turismo, transporte, energia, regulação climática, depósito de lixo de toda a espécie, estão entre as funções mais conhecidas e reconhecidas que o mar nos oferece.

Não espanta pois o movimento global em favor de uma governação sustentável dos oceanos e as orientações e dinâmicas que daí têm resultado, desde que no final dos anos oitenta o Professor Mário Ruivo e tantos outros por ele motivados conseguiram colocar o tema dos oceanos na agenda global. No final dos anos 90 do século passado, a Exposição Mundial de Lisboa, sob a batuta do Secretário Geral das Nações Unidas e o patrocínio do Presidente Mário Soares catalisou o tema mostrando que não se trata apenas de ciência ou curiosidade particular como se verifica com a profusão de abordagens e temas como a Economia Global, a Governação Internacional dos Oceanos, O Direito do Mar, as Convenções sobre a Protecção do Meio Marinho, as Directivas Europeias, os Planos de Ordenamento da Orla Costeira e mais recentemente do Espaço Marítimo e outros tantos. Não há quem hoje não seja especialista em assuntos do mar, basta assistir a um congresso, um par de reuniões, participar em alguns negócios ou até ir até à ponta do Cais para se ter acesso á caderneta de especialista. E tal como em muitos assuntos de base ambiental, como no futebol, todos são treinadores e detentores do conhecimento particular que faz a diferença. E se tiverem uma caneta ou um carimbo na mão, então nem se fala. É a verdade suprema, a personificação de Neptuno e a expressão de Tethys, esposa inspiradora do próprio Oceano.

E a cultura do mar? A cultura de não se repetir ou transladar para o meio marinho as asneiras e absurdas formas de gestão falhadas em terra?. Sejam quais forem as intenções e posições de todas as partes, no mar, repetir as abordagens e perspectivas comprovadamente falhadas será uma espécie de chover no molhado. Para já expõem-se ao ruído, à contagem de canoas, à salmoura das opiniões e aos humores de cada momento.

Já diz o ditado que, quem vai ao mar avia-se em terra. E deve fazê-lo atempada e adequadamente. Trabalhinho de casa, transparência, competência, organização, diálogo e acordo sobre princípios fundamentais que não podem ser ultrapassados a qualquer momento ou a qualquer preço. Caso contrário, tudo o que o mar leva, o mar há-de trazer.