Um tempo novo, em que se olhe para a frente, verdadeiramente para a frente, com vontade de avançar e fazer diferente, é aquilo por que tantos e tantos madeirenses continuam à espera. Foi isso que demonstraram maioritariamente nas urnas, por mais que a aritmética parlamentar nos tenha convencido temporariamente do contrário, e foi isso que demonstraram no Funchal quando decidiram mudar – mas, apesar disso, nem todos olham da mesma forma para a cidade que somos e para a Região que queremos.

Uma cidade pequena. É assim que muitos olham para o Funchal. Para alguns, o Funchal é uma cidade pequena demais para ter cultura de nível mundial, como o concerto de James Arthur; o Funchal é uma cidade demasiado pequena para ter uma taxa turística municipal; o Funchal é uma cidade demasiado pequena para ter uma Polícia Municipal; e o Funchal é uma cidade demasiado pequena para ter uma maratona internacional. Para esses, o Funchal é, no fundo, uma cidade demasiado pequena para fazer e ter o que outra qualquer capital de distrito do país faz e tem.

Ora, a minha visão é outra. A minha é a de que não, o Funchal não é uma cidade demasiado pequena; o Funchal é, pelo contrário, uma cidade grande, mas com uma oposição, essa sim, demasiado pequena, dedicada à pequenez política de quem a governou com uma visão redutora do município que geriu durante tempo demais. O Funchal não é uma cidade pequena, em que os bairros sociais tenham de continuar a ter amianto, as condutas de água fibrocimento e as zonas altas continuem sem saneamento. Foi esse o Funchal que outros nos deixaram e o único que imaginaram. A única coisa grande em que PSD e CDS imaginaram o Funchal foi no nível de endividamento e impostos que os primeiros nos deixaram e que os segundos não nos querem deixar continuar a ultrapassar.

O Funchal é uma cidade grande - tão grande que tem, contra todas as previsões de alguns velhos do Restelo, um dos melhores, mais competentes e melhor equipados corpos de Bombeiros Sapadores do país; tão grande que continua a trabalhar para ser uma cidade cada vez mais resiliente, capaz de enfrentar momentos como o que sofremos há 10 anos com melhor prevenção, capacidade de resposta, planeamento e ordenamento do território; tão grande que continua a querer ser mais sustentável e ter melhor mobilidade; tão grande que pretende que o futuro dos seus mais novos seja ainda maior - e por isso atribui-lhes manuais escolares gratuitos, dá-lhes bolsas de estudo para estudarem no Ensino Superior e espera que os que saem regressem um dia, com melhores oportunidades de emprego, de habitação e mais ambição. A cada mês que passa, torna-se mais e mais e mais evidente que enquanto na Câmara Municipal nos dedicamos ao Funchal que nos une, um Funchal de Futuro, grande e cada vez maior, há quem se dedique a continuar a imaginar um Funchal do passado, pequeno, fechado sobre si mesmo e sobre as fronteiras da visão do século XX dos que lhe reservam como única solução a saudade pelo passado e por um tempo que, felizmente, teima em não voltar.

Mas há mais: é que agora os mesmos que pensaram um Funchal pequeno, que o governaram como se fosse, governam uma Região pensada ainda menor. Uma Região vetada à mediocridade de quem se julga elite de coisa nenhuma, estranhos predestinados para o poderzinho da chave da retrete, exercido contra tudo e contra todos, uma Região abandonada às mãos de inaceitáveis conivências, desleixada perante a mediania de acordos de circunstância, vergada perante a força disciplinadora da intransigência de quem julga que manda. A única coisa em que pensaram esta Região grande foi no tamanho do Governo e dos cargos de nomeação muitíssimo bem pagos que lhe arranjaram; e a única coisa em que deixaram esta Região grande foi nas desigualdades sociais de uma terra onde a maioria da população, o resto, claro, tem rendimentos anuais entre 5 e 10 mil euros, qual paraíso remuneratório do povo superior.

Pensar uma Região maior é, também, pensar e fazer, acima de tudo fazer, verdadeiramente diferente. É imaginar uma Região que avance, com pessoas novas e com coragem redobrada para libertar-nos das amarras que limitam há tempo demais o pensamento e a acção de um povo. Sem isso, nada de novo se fará, a não ser repetir erros e narrativas do passado. Neste tempo de estranhas alianças, discursos e esquecimentos, mas que se espera, que se deseja vir a ser um tempo novo, a ambição de quem um dia ousou sonhar não pode sucumbir, nem diminuir - por uma cidade grande e uma Região maior.