Se o PS estivesse no Governo não haveria espectáculo de
fogo-de-artifício, pelo menos nos moldes habituais. Miguel Iglésias diz que é “altamente
questionável” a decisão do Governo Regional de continuar com o espectáculo “exactamente
nos mesmos moldes, com os mesmo custos dos anos anteriores como se este fosse
um ano normal”. “Estamos a ter um evento de uma região rica quando há pessoas a
passar fome”.

O líder parlamentar do PS Madeira está contra a opção e
recorda que uma vez tomada a decisão de manter o cartaz, as medidas de
contingência possíveis são sempre muito limitadas. “Tudo o que se possa fazer
neste momento será sempre insuficiente e certamente há coisas que não vão
correr bem”, disse. “Mas isso é um risco e uma responsabilidade que o Governo
Regional quis assumir.”

Miguel Iglésias não compreende a opção do Executivo liderado
por Miguel Albuquerque de investir mais de um milhão de euros num contexto em
que a Madeira tem poucos turistas, em que há restrições à circulação das
pessoas e em que o próprio Governo pede às pessoas para ficarem em casa.

A partir do momento em que existe o espectáculo, as pessoas
vão querer assistir e será necessário lidar com os milhares de pessoas que se
vão deslocar ao Funchal. “Eu diria que se quer fazer uma operação impossível”.

O PS defende que deveria ter sido cancelado, adiado ou
escalonado de outra forma. “Não era necessário neste ano um evento com a mesma
dimensão, particularmente com os mesmos custos”.

Questionado se isto não será justificado com questões
contratuais, Iglésias recorda que o contrato foi adjudicado já este ano, embora
admita que na altura se acreditasse que a situação por esta altura seria diferente.
“Eu até posso admitir isso, mas foi uma decisão que o Governo tomou desde o
início, está a assumir essa responsabilidade e naturalmente todas as
consequências da organização deste evento cabem-lhe”.

O deputado, diz que o PS espera é que corra tudo bem, que não
haja ajuntamentos que coloquem em risco a saúde, que as pessoas sejam
responsáveis e que a Madeira “seja motivo de notícias positivas e não negativas”.
E que não haja nenhuma relação causa efeito, entre o espectáculo e o aumento do
número de casos de covid-19 na Madeira. “Nem tenho palavras, se tal acontecesse.”

Miguel Iglésias deseja que na próxima noite de quinta para sexta-feira
as pessoas fiquem em casa e que quem decida vir ao Funchal, o faça com segurança.