A grande maioria dos portugueses está alinhado com a decisão
do Parlamento: 85% concordam de alguma forma com a obrigatoriedade do uso
de máscara na via pública, sendo que 60% "concordam totalmente", em
particular os cidadãos mais velhos (73% dos que têm 65 ou mais anos manifestam
um apoio incondicional).
Segundo uma sondagem da Aximage para o JN e
a TSF, esta é uma obrigação que não mudará os hábitos da maioria: 68%
garantem que já utilizavam máscara na rua. E verifica-se que o nível de adesão
cresce de forma simétrica com os escalões etários, ou seja, quanto mais velho o
inquirido, maior é a probabilidade de já usar máscara na rua, chegando aos 80%
entre quem tem 65 ou mais anos.
A lei, que impõe a obrigação do uso de máscara durante 70
dias (quando não for possível manter o distanciamento), e prevê coimas entre
100 e 500 euros, resultou de uma proposta do PSD e teve escassa
oposição política: o BE e o PCP abstiveram-se e o deputado
da Iniciativa Liberal votou contra. Pode concluir-se, através da
análise dos resultados dos diferentes segmentos, que estão dessintonizados do
seu eleitorado, uma vez que os inquiridos que votam nestes três partidos também
estão de acordo, e de forma esmagadora, com a medida.
O único líder político que poderá dizer que está um pouco
mais alinhado com o sentimento do seu eleitorado é André Ventura, uma vez
que é entre os que votam no Chega que se destaca a maior oposição ao uso
obrigatório de máscara (30%), bem como o reconhecimento de que não andam de
máscara na rua (50%). Ressalve-se que o deputado único da Direita radical,
apesar de se ter manifestado contra a obrigatoriedade, não estava presente no
Parlamento quando se votou a proposta do PSD.
Ainda no que diz respeito ao cruzamento de dados relativos
às fronteiras partidárias e ao uso de máscara na rua, percebe-se que são os
eleitores de partidos
como CDS (89%), PS (82%), CDU (78%)
e PSD (77%) os que mais reconhecem que se anteciparam à
obrigatoriedade da lei. Precisamente os partidos em que, de acordo com
sucessivas sondagens, é maior a proporção de eleitores mais velhos.
