Começou por ser uma florista, depois foi deixada ao
abandono. No final dos anos 70, Marina dos Anjos Teixeira resolveu
dar uma nova vida àquela cabana.
A cabaninha estava fechada, tinha os vidros partidos,
estava abandonada, eu olhava para ela e achava que dava um bom negócio.
Tinha 20 e poucos anos, era uma jovem sonhadora, e com
muito esforço e trabalho Marina conseguiu transformar a “cabaninha” fechada numa casa
de sucesso.
Marina relembra o quão diferente era a Avenida nos anos 70. Conta que a Avenida tinha duas vias e um estacionamento em cada lado, ao invés
da praça de táxis, tinha uma paragem dos autocarros da SAM. O Hotel Voga deu
lugar ao edifício Arriaga onde fica a Loja do Cidadão e na Rua Conselheiro José
Silvestre até havia “algumas tasquinhas”. Diz que a única coisa que se mantém
igual é o Jardim Municipal.

Quando abriu o seu negócio, Marina manteve a venda de
flores, aos poucos foi inserindo um pouco de tudo - jornais, revistas, livros,
depois apareceram os jogos, até a cabana ser o que é hoje - “uma casa de
sucesso, mas muito trabalhosa, foi preciso trabalhar”.
Ao DIÁRIO, Marina contou que no início passou por
momentos difíceis porque não entrava lá ninguém, mas com o tempo foi conquistando
os seus clientes e ‘fazendo a sua casa’.
Hoje diz adorar o trabalho que tem: “É
um trabalho que dá gosto, eu adoro o convívio com as pessoas, não me importa
aquilo que são, trato-os todos da mesma forma, porque à noite quando faço a
caixa o dinheiro que lá está não tem nome, por isso eu trato-os todos bem, com simpatia e é assim que vou ser recordada”.

Recorda um dos momentos mais
marcantes, quando o antigo Presidente da República, Mário Soares, veio ao Teatro Baltazar Dias para um comício.
Ele não foi nada bem recebido, começaram a atirar-lhe
coisas, entretanto a polícia chegou e eu
fechei a cabana a correr, deitei-me atrás do balcão e escondi-me com medo, só
quando estava tudo em silencio é que me levantei.
Actualmente com
66 anos, Marina dos Anjos diz ser uma mulher realizada. Criou os seus dois filhos
na Cabana do Jardim, foi lá que um deles aprendeu o gosto pelas contas: “Com
quatro aninhos colocava-se em cima de uma caixa para chegar ao balcão, vendia
algumas coisas e ia fazendo trocos, hoje em dia é economista, é um gestor!”.

Marina tem um carinho especial pela Avenida onde
trabalha há mais de 40 anos: “A Avenida é muito importante para mim, foi aqui que
eu criei os meus filhos e foi aqui o meu começo de vida”