O cónego Marcos foi nomeado pároco da Sé do Funchal em Junho deste ano e tomou
posse no último dia 20 de Setembro.
Ao DIÁRIO contou algumas das suas ideias e
expectativas para este novo ciclo.
Passaram
três semanas desde que chegou à Sé, “são tempos para arrumar a casa ao meu
jeito”, começou por explicar. É tempo de conhecer, estudar e observar: a
história da Sé, os fiéis que frequentam a paróquia, os profissionais que lá
trabalham e a própria catedral.

O cónego Marcos
pretende acompanhar todo o desenrolar das obras de restauro e conservação do
tecto da Sé, obras que têm previsão para terminar em Abril de 2021.

Marcos realça a importância de dar continuação as celebrações que já
existem na igreja da Sé, revelando que até agora apenas “reorganizou uma coisa
ou outra” e colocou em prática algumas medidas que visam dinamizar a Sé do
Funchal.
Uma
delas foi implementar um novo horário de funcionamento, sem interrupções. A Sé
passou a estar aberta de segunda a sexta-feira das 07:15 às 19:00, para o
novo pároco, é importante que a igreja da baixa da cidade não feche durante a
hora de almoço, “nós queremos ser uma igreja de portas abertas, não só para o
turismo, mas também para os próprios madeirenses, porque muitos deles trabalham
na baixa da cidade, almoçam no Funchal e muitas vezes andam a vaguear pela
cidade a fazer tempo. É fundamental que encontrem uma igreja aberta, onde
possam descansar um pouco diante Deus”. Um contributo que quer deixar à cidade
do funchal e aos madeirenses.
As
celebrações adoptaram um novo sentido com o novo pároco. Agora em todas as
missas das 18 horas o coro alto recebe o organista Nélson Quintal, que dá
música aos fiéis. Marcos presta uma atenção especial a música e a apresentação
da igreja, o padre revela que “a música nos eleva até Deus e a beleza também é um
caminho de encontro”. Manter o espaço o mais limpo e arejado possível
é um dos aspectos que o cónego considera primordial para o bom funcionamento da
Sé.
A paróquia acolheu recentemente três seminaristas que criaram um grupo bíblico para falar sobre a
palavra de Deus, o grupo não é fixo e reúne-se todas as quintas-feiras.
Abrir
a torre da Sé ao público está entre os planos do Cónego Marcos Gonçalves, uma
ideia que terá de ser bem estudada, de maneira a conhecer as condições de
acessibilidade da torre e garantir a segurança dos visitantes.
Um
pároco jovem na idade e no pensamento
Marcos
veio dar um toque moderno a igreja da Sé, criou uma página no Facebook onde os
fiéis podem encontrar informações úteis, como o horário das missas, quais são as celebrações
a acontecer e informações sobre as obras de restauro do tecto. O cónego
criou também um site para a catedral com o objectivo de contar a história da Sé
e notificar sobre os próximos acontecimentos.
Mas
esclarece que o seu principal foco não é atrair uma faixa etária em específico,
“apenas cuidar para que as celebrações sejam celebradas com uma linguagem
atual, não demorada, esteticamente cuidada a nível da beleza e da música”
As
portas de entrada da Sé passaram a ter um código QR que leva a 'sites' onde os
visitantes podem seguir as leituras da missa de cada dia. O código
disponibiliza informações em inglês e português de modo a que qualquer pessoa
com um telemóvel possa acompanhar através do código as leituras da missa.
O
cónego Marcos pretende também colocar um código QR em cada altar e imagem da igreja, para permitir que
qualquer pessoa possa entrar sem guia e conhecer a catedral a partir do
seu próprio telemóvel.
O
objectivo é deixar de usar o papel e de os afixar no guarda-vento, Marcos admite
não achar estético “tem de ser uma coisa limpa”. O novo formato promete
facilitar a leitura dos fiéis “é para que as pessoas possam visualizar da melhor
forma, através de um ecrã, todas as informações da paroquia”.
O
novo pároco da Sé deixa uma mensagem:
“As
paroquias existem antes de nós e vão existir depois de nós. Os párocos entram e
dão o seu contributo, que muda de acordo com a experiência do sacerdote que
entra, cada um com a sua personalidade, maneira de falar e com a história
pessoal. Portanto digamos que não há ruturas, há apenas um caminho que se
continua a fazer e é isso que eu pretendo".
