A culpa é da Lei das Finanças Regionais que ano após ano
serve de base para que sejam feitas menos transferências do Orçamento de Estado
para a Madeira do que para os Açores, uma diferença que na opinião de Miguel
Iglésias, líder do Grupo Parlamentar do Partido Socialista-Madeira, não
encontra justificação na diferença de desenvolvimento entre os dois
arquipélagos. A culpa é também do PSD, que preside à comissão encarregue de
trabalhar esta proposta de alteração, um trabalho que se arrasta desde o ano
passado e que continua sem resultados concretos, na opinião do deputado.
A questão interessa a todos os partidos e todos estão conscientes
do impacto que tem esta não alteração da Lei das Finanças Regionais. É uma das
razões pela qual foi criada no início desta legislatura uma comissão eventual
da Reforma do Sistema Político, que tem entre outros temas a tratar a revisão
da lei. O objectivo é “corrigir esta situação que atinge uma diferença que é
pouco justificável nos dias de hoje”, no entender de Miguel Iglésias. “Mas também
posso dizer que já se criou essa comissão há um ano, uma comissão que é presidida
pelo PSD, e até ao momento simplesmente ouvimos meia-dúzia de personalidades
para darem a sua opinião sobre essa mesma lei e não há qualquer trabalho feito
ou realizado sobre a mesma, e isso também é de lamentar”.
No ano passado nada foi feito e a situação de “injustiça”
continua. Se nada foi avançado, no próximo ano o deputado acredita que haverá
novamente lamentações. Nada vai mudar se a legislação não for alterada,
recorda.
“Os Açores, já houve um passado em que naturalmente tinham
muito mais dificuldade do que a Região Autónoma da Madeira, essas diferenças têm-se
estreitado e não se justifica que haja critérios que foram derivados da lei de
2013 e que prejudicou efectivamente a Madeira”.
Sobre a abertura da Assembleia da República para acolher essas
alterações à Lei das Finanças Regionais, que só mudará depois de aprovada no
parlamento nacional, o líder parlamentar acredita que haverá disponibilidade para
discutir. “Isto tem de ser por passos. Primeiro temos de nos entender aqui
sobre o que queremos, para iniciar um diálogo naturalmente com a República e
com os órgãos próprios. Naturalmente que haverá certamente abertura normal nestas
circunstâncias, como sempre houve. Agora, depende do que for a proposta.”
O PS quer que mudem os critérios que definem os valores das transferências
das Regiões, as normas jurídicas. Há também a questão da fiscalidade. No passado
esta lei já foi mais favorável à Região.
Entende que é preciso “acelerar”, diz que não há justificação
para não terem sido apresentados resultados nos vários dossiês que a comissão,
liderada por José Prada, tem a seu cargo, como a Lei das Finanças Regionais,
mas também a adaptação da Lei Eleitoral, da alteração do estatuto político-administrativo
e até mesmo uma possível proposta de revisão da Constituição. “Até ao momento,
passado um ano, nada disto foi firmado em proposta concreta. E eu julgo que
isto deve ser uma prioridade legislativa. E atenção! Isto deve ser uma
responsabilidade de todos os partidos”.
Migue Iglésias entende que ter uma comissão criada para esse
fim que não resolve a questão é “enganar as pessoas”. “Estamos a fingir que
estamos a tratar da revisão da lei das Finanças Regionais. O tempo vai passando”.
Acrescenta que é preciso ter memória, que na legislatura anterior aconteceu o mesmo,
foi criada uma comissão eventual para tratar das questões e não foi apresentada
qualquer proposta. Teme que vá pelo mesmo caminho, o que, diz, é inaceitável.

