Pensava eu que seria como das outras vezes. Preparara três diferentes apresentações. Na hora, conforme a audiência e a própria sala, logo escolheria qual delas usaria. E mesmo dentro dessa apresentação, ainda focaria num ou outro aspecto, dependendo de como “sentisse” quem me estivesse a ouvir. Mas a Professora trocou-me as voltas.

Durante mais de duas horas, tive o privilégio de ver tantas pessoas a partilharem histórias de vida incríveis. Algumas delas, faziam-no pela primeira vez, perante gente que nunca haviam visto antes. Apesar de todo o nervosismo, passaram uma mensagem fortíssima. E pelo menos para mim, houve vários ensinamentos que retirei daquele princípio de noite.

Por mais que a vida nos pareça cruel, dura, injusta, por mais que nos sintamos em baixo, por mais erros que tenhamos cometido, por mais que tenhamos “saído da linha”, temos sempre algo que pode e deve ser partilhado! Porque é muitas vezes nesses momentos, que o ser humano transcende-se.

Há uma inscrição na base de um monumento que celebra a construção da Marina do Real Club Náutico de Gran Canária, em Las Palmas, que diz o seguinte: “Como não sabiam que era impossível, fizeram-no!” Os desafios que aqueles alunos tiveram de enfrentar, em diferentes contextos familiares, sociais e pessoais, em fases tão distintas das suas vidas, pareceriam à partida inultrapassáveis. Mas por estranhas artes, conseguiram superá-los. Os seus testemunhos são um hino à coragem, à perseverança, à resiliência e à esperança. Se foi difícil? Com certeza, sendo certo que essa dificuldade estará para além da minha capacidade de percepção. Certo, certo é que, como também escutei recentemente, o “impossível custa um pouco mais”.

No final, a minha história era a mais simples. Era a história de uma criança que descobriu uma paixão aos 9 anos e construiu toda uma vida em torno daquela. Ao contrário das outras, não houve praticamente obstáculos extrínsecos. Ou, pelo menos, que eu considerasse como tal. Tudo se forjou num fogo que ardia cá dentro. E que ainda arde.

Quando regressei a casa, reduzi-me à minha insignificância. Havia recebido uma enorme lição de humildade. Obrigado!