
Há tempos titulei um destes conjuntos de alienações gratuitas de caracteres perguntando se andava tudo louco, mas dois factos absolutamente nada relacionados entre si levaram-me a concluir que o problema talvez fosse outro.
Um grande Amigo mandou-me, por alturas do Natal, um vídeo com os “nossos” índios cantores, numa alusão a algo que há algum tempo escrevi a propósito da horrenda experiência que é alguém passear-se entre o cais do Funchal e a zona velha pelo lado Sul da estrada, onde eles agora também actuam.
Nada mudou! Ou melhor, mudou mas para pior! Os índios arranjaram um palco fixo onde montam estaminé sem pagar licença a ninguém (para isso cá estamos nós, otários, com a montanha de obrigações legais e fiscais que temos de cumprir e ainda por cima a levar com fiscalizações em cima) e têm umas fatiotas novas, todas supimpas e muito “very typical”. Dos Andes, imagino, que do Pico Ruivo penso não serão...
O outro facto, o tal não relacionado, tem a ver com a taxa turística que, a não ser que se faça luz em sede de Assembleia Municipal, irá ser implementada, no pior dos timings, sem qualquer lógica, com uma fundamentação absurda (aquela de servir para regular o arrendamento urbano é quase tão boa quanto a da eco-taxa que ajudou a sanar as contas dessa Câmara), pelo dobro do valor alguma vez falado e sem cuidar de nenhum dos aspectos que, há 3 anos atrás, um conjunto de empresários do sector e a ACIF fizeram chegar à CMF.
É preciso que se note que é esta a mesma entidade que tem por incumbência regular e ordenar a cidade; que fomentou investimento que agora vai prejudicar, que autorizou construções que ultrapassam em mais do dobro o limite estipulado, que não olhou para outros instrumentos de regulação, como seja o POT, que mantém um contencioso em outras matérias fiscais com este sector que não trata de resolver e que cobra, entre outras coisas, IMI...
É triste, a conclusão que daqui pode tirar-se. O que é fácil de fazer não é feito e os índios lá continuam, juntamente com os vendedores de arte africana, os “time-sharers” e todo o conjunto de outros assediadores que pululam impunemente pelo espaço público. O difícil, como não tira assim muitos votos, isso avança que inglês reclama mas não é à Câmara...
Tudo isto está aí, à vista de todos. E os alertas em relação à taxa foram feitos, já há muito, até sobre as suas consequências nefastas. Não veem, não ouvem... Serão loucos ou cegos e moucos?