Neste tempo,em que se fala mais com os dedos do que com a boca,olha-se mais para a ponta do sapato que para a vida que se agita em frente.
Perdem-se horizontes, e até o próprio horizonte, embevecidos que estamos por posts,likes,selfies,opiniões e afins,tantas vezes reveladores de grande ignorância. É fácil ceder ao deslumbramento do poder e da personalidade, com as consequências que daí advêm.
Por outro lado, é deprimente a apatia em determinados casos.
A autoridade continua a ser uma característica apreciada pelos cidadãos em situações de convulsão. Uma reacção titubeante ,um “deixa andar que logo se vê “e “para mim assim está bom”,são sinais de pouca Segurança e menor Firmeza.
A vida das pessoas de hoje parece contar pouco. As presentes gerações já estão condenadas com base em decisões tomadas há anos e em adiamentos sucessivos para a resolução de situações críticas.É sempre tudo adiado para amanhã o que é urgente resolver hoje.Pelo caminho, vamos maltratado e delapidando o Património e a Cultura. Que nos reserva o futuro?
Deveríamos evitar perder tempo com promessas e acertar os ponteiros dos nossos dias pelas pequenas coisas que podemos, efectivamente, conseguir e que fazem a diferença .
Há quem ache que sabe o que o povo quer. E põe-se em bicos de pés a proclamar o que acha que o povo quer.
Povo somos todos nós, mesmo os políticos que nos aborrecem e envergonham.
“A política é um jogo só possível para quem o estômago não se revolta com as mudanças de direcção, ditadas pelas necessidades do percurso”.
Quarenta e alguns anos depois, vê -se,ouve-se,mas não se acredita...
Por aqui,“cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas”
Madalena Castro