Estas montanhas, estes mares, moldaram-nos, madeirenses. Séculos de convivência com uma natureza desafiadora, mas ao mesmo tempo, arrebatadora. Gerações de mulheres e homens que moldaram a paisagem, mas que esta também modificou. Um denominador comum. Um amor inexplicável por estas ilhas, as mais belas.

Em 600 anos, tanto se viveu, morreu, sofreu, amou. Tanto foi conquistado, construído, destruído, recuperado, transformado. Em todas as ilhas, sistemas cada vez mais complexos foram implementados. Mas como pano de fundo, sempre aquela paixão impossível de traduzir por combinações de palavras, paixão por estes minúsculos pontinhos perdidos no azul do mapa dos mundos.

Não é só pelas montanhas, pelo oceano, pela magnífica expressão da natureza, que esta quase devoção se manifesta. É também pelas suas gentes. Por tudo aquilo que tantas pessoas aqui nascidas, conseguiram alcançar, contra todas as probabilidades, mas tirando partido de todas as oportunidades que a vida sempre proporciona, em qualquer ponto do planeta azul.

Quando aquela miúda, na verdade, mulher com feições de rapariga, começou a cantar, tal como aconteceu comigo, centenas de outras pessoas sentiram uma estranha emoção. Era a emoção de ter o privilégio de ouvir uma voz límpida, inocente mesmo, como se nos parecesse impossível existir tal som. E ao longo de quase três horas, à medida que o público era levado pela história da Madeira, fomos deliciosamente embalados pela Maria do Mar e seus companheiros, numa história de amor com a qual, todos nós, de uma forma ou de outra, cruzamo-nos ao longo da nossa vida.

Quando caiu o pano, mais do que a história da Maria do Mar e do Pedro, era uma história de amor de um povo pela sua terra que havíamos percorrido. Uma história com seis séculos!