A Semana das Artes teve lugar em vários espaços da baixa funchalense, nomeadamente no Auditório do Jardim Municipal no Teatro Municipal Baltazar Dias, na Placa Central da Avenida Arriaga, no Centro de Congressos da Madeira – Casino, no Palácio de S. Lourenço , no Espaço EntreArte da SRE, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, no Centro Comercial La Vie Funchal, fazendo da capital madeirense um lugar, onde toda a atividade, musical, cénica, plástica e de criatividade dos mais variados níveis artísticos e culturais, se manifestassem harmoniosamente no anfiteatro funchalense, exalando um intenso perfume de luz, som e cor.

Todavia pode e deve perguntar-se a quem convém e beneficia toda esta frenética atividade?

Quanto ganha e quanto gasta a Região e suas secretarias com este evento? Quanto do orçamento regional vai para este evento?

Será o povo anónimo o principal beneficiário?

Ou, por outro lado, serão os senhores hoteleiros e comerciantes da capital da região, bem como os senhores engravatados da nossa governança regional, os principais beneficiados e favorecidos deste acontecimento?

Urge também questionar quem são os sacrificados e, de certo modo, os mais esquecidos desta festividade artística?

Há questões que só podem ser respondidas pelas entidades em questão, pelo que, a mim só me cabe perguntar!

Mas, posso responder às outras.

Quais os mais sacrificados?

-Os funcionários da secretaria de educação, mormente o pessoal do D. I. Multimédia, obrigado a horas extra que, como se sabe, não são pagas;

-Os professores, a quem se exige, no mínimo a perfeição, sob um tom de ameaça desmotivadora;

-Os pais dos alunos integrantes da semana, mormente daqueles que vivem longe do centro ou até em freguesias e concelhos distantes, obrigados a se deslocarem às expensas do orçamento familiar, a tarde (ou cedo) e a más horas, arcando com despesas de transporte e até de alimentação.

-Os próprios alunos a quem se lhes exige empenho, pontualidade, talento, dedicação, sacrifício, profissionalismo e mesmo que sacrifiquem horas de estudo, às disciplinas de curriculum escolar obrigatório. Todavia, não se lhes dão meios logísticos. Nem mesmo um “lanchinho” para quebrar a “roeza” que aperta, após horas de ensaio ou de teste de som.

Meus senhores, engravatados e de brancura secretarial, que se pavoneiam no púlpito ou no palco onde pisam o suor de muita gente dedicada e talentosa, que por amor à arte se sacrifica, deveria merecer mais respeito. E, pelo menos um caloroso agradecimento, que infelizmente esquece de lembrar ou fica ensombrado pelos esmerados agradecimentos às casas patrocinadoras.

Pede-se, pois, um pedacinho, por favor, de mais respeito por quem se dedica e sacrifica sem querer nada em troca, a não ser respeito.

De uma mãe dedicada

FAP