O sector postal está em profunda transformação a nível global como consequência da revolução digital e o impacto dessas mudanças já se faz sentir também na Madeira, revelou o administrador-executivo dos CTT, adiantando que na Região registou-se uma redução do número de clientes atendidos nos pontos de acesso da rede em cerca de 13% nos últimos dois anos e um decréscimo de dois milhões de operações de serviços postal. Esta quebra do correio tradicional está em linha com o resto do país e tem obrigado a empresa a se reinventar, sem deixar assegurar “a sustentabilidade do Serviço Postal Universal, ainda que em queda de correio”, afirmou Francisco Simão, esta manhã na inauguração oficial do novo Centro Logístico e de Distribuição da Madeira.

Os serviços que até ao final do ano passado estavam no Edifício 2000 transitaram para o Madeira Tecnopólo, permitindo novas condições de trabalho aos 120 trabalhadores que estão afectos ao Centro de Logística e Distribuição e do Centro de Distribuição Postal ali reunidos. Trata-se de uma área de cerca de 2.500 metros quadrados.

O administrador diz que os operadores postais têm tido a necessidade mas também a capacidade de mudar, aproveitando a proximidade, a confiança e a capilaridade que caracteriza estes serviços para ir ao encontro das necessidades dos clientes e às tendências gerais assentes na globalização, digitalização, crescimento do comércio electrónico e diversificação de negócios, frisou.

“Nós temos tido quedas da actividade de correio que variam entre os 4 e os 7 a 8% ao ano, mas sabemos pela experiência de todo o mundo que esta queda de correio vai continuar a acontecer”, afirmou, revelando que por outro lado as encomendadas, os pacotes postais, têm evoluído em sentido inverso, tendo no ano passado crescido mais de 10%.

Sem baixar os braços, mas antes adaptando-se à nova realidade, os CTT têm um Plano de Modernização e Investimento que segundo Francisco Simão permitirá nos próximos dois anos reforçar a automatização da separação de correio, melhorar as condições de trabalho reforçar a qualidade e modernizar a infra-estrutura da rede de distribuição. “São 40 milhões de euros que representam um investimento ímpar dos CTT naquilo que é a sua infra-estrutura ‘core’, a sua capacidade logística de entrega de cartas e cada vez mais encomendas”.

No discurso desta manhã o administrador referiu ainda a intenção de reforçar os CTT como elo de ligação às populações.

Jorge Carvalho esteve presente na inauguração oficial e revelou estar satisfeito não apenas porque os CTT passam a ter melhores condições para servir a população, mas porque os trabalhadores têm melhores condições de trabalho. O secretário regional da Educação lembrou a importância do serviço na Madeira. “Um espaço insular como é o nosso necessita de ter uma boa rede de distribuição”, nomeadamente para assegurar as encomendas crescentes resultado também do comércio online. “É preciso empresas que possam fazer chegar às populações as encomendas, os produtos”, recordou.