Hoje gostaria de refletir sobre uma realidade que ninguém discute no “Tempo de Antena”, mas que reflete o “modus operandi” do grande “Leviatã” tecnoburocrático que é a UE e as despesas de funcionamento “galáticas” do PE.
Após a realização de alguns cálculos verificamos que cada eurodeputado aufere um rendimento mensal de 13.877,70€ (salário bruto de 8.757,70€, acrescidos dos valores de subsídio de estadia por cada dia de trabalho fixado nos 320€, que somados a uma média de 4 dias semanais perfaz um valor de 1280€ que multiplicado por 4 semanas ascende a 5.120€ mensais).
Se multiplicarmos o salário por 12 meses cada eurodeputado aufere a “módica” quantia de 166.532,40€. Ao fim de um mandato representa 832.662€. Assim se compreende melhor o frenesim e o “cio” histérico por parte de alguns candidatos!!!
Se multiplicarmos o valor pelos 705 deputados do PE chegamos à conclusão que o PE paga só em salários um valor mensal de 9.783.778,80€ e 117.405.342€ ao fim de um ano de atividade parlamentar. O cenário é dantesco se multiplicarmos o valor por cinco onde os valores atingem uns impressionantes 587.026.710€!
Foquemo-nos agora no pagamento de salários dos assistentes dos gabinetes de cada eurodeputado cujo valor máximo mensal está fixado nos 24.493€. Ao fim de um ano essa despesa representa 293.916€. O valor deixa de ser “erótico” e assume contornos “pornográficos” se multiplicarmos o valor pelos 705 eurodeputados: mensalmente corresponde a 17.267.656€ e anualmente representa 207.210.780€.
Como se não bastasse temos que somar a tudo isto as despesas de funcionamento dos gabinetes de cada eurodeputado, ou seja as despesas “fixas”. Este valor está fixado mensalmente em 4.513€ por cada gabinete. Ao fim de um ano esse valor representa 54.156€ (por cada eurodeputado), mas se multiplicarmos esse valor pelos 705 eurodeputados, essa despesa representa um valor mensal de 3.181.665€, um valor anual de 38.179.980€ e 190.899.900€ ao fim de um mandato!
Para tornar a “mise en scéne” ainda mais tenebrosa e “cinzenta” ao estilo da obra-prima “O Grito” de Edvard Munch (1893), vamos somar os valores totais anuais referentes aos salários dos 705 eurodeputados com os salários dos assistentes dos gabinetes de cada eurodeputado com o valor das despesas de cada gabinete dos 705 “representantes” do povo e assim obtemos um valor total anual de 362.796.102€.
Ainda não está convencido! Vamos então calcular as despesas de funcionamento do PE ao fim de um mandato: Ufff, são 1.813.980.510 €, ou se preferir cerca de 2,3% do valor total do resgate financeiro da “Troika” a Portugal.
Perante a leitura destes números cabe a cada um de nós enquanto cidadãos reflectirmos sobre a sua justeza perante uma Europa e um mundo globalizado que funcionam a duas velocidades: os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres estão cada vez mais pobres.
A situação assume contornos de tamanha desfaçatez uma vez que esta desigualdade é fomentada pelas próprias instituições políticas europeias ao esbanjar valores astronómicos com instituições como o PE, que representa apenas uma das várias peças que formatam o “puzzle” constitucional da UE.
Perante o “estado da arte” do “status quo” “diktado” por Bruxelas surge legitimamente a questão: quem beneficia com tudo isto? A resposta só pode ser uma: a elite política, económica e financeira que governa a Europa e estende o seu domínio aos respetivos países da UE em nome do modelo sacro-santo da democracia liberal e da globalização. Com a produção dos resultados nefastos que se conhece!
É perante esta realidade e recorrendo ao sábio e mordaz ensinamento do Padre António Vieira que nos devemos interrogar retoricamente sobre qual dos vários candidatos ao PE se referem a esta questão ética e moralmente reprovável no “Tempo de Antena”? Sem qualquer espécie de presunção ou comiseração acho que todos nós sabemos qual é a resposta e o melhor mesmo é continuar a “pregar aos peixes” e não cair na tentação de imitar a avestruz que só favorece o “establishment”.
Fica o reparo e a reflexão!!!
Ruben França