O depoimento de Joe Berardo (JB) perante a 2ª Comissão de Inquérito Parlamentar à CGD (CI), que a exemplo de anteriores comissões não passará de uma inutilidade superveniente, gerou um coro de desfaçatezes. Desfaçatez 1 - Nem foi tanto JB afirmar que não tem dívidas pessoais à CGD, o que até poderá ser verdade se os empréstimos não foram feitos a título pessoal mas a outras entidades das quais ele era mero representante e o banco não lhe exigiu garantias pessoais para cobrir o elevadíssimo risco desses mesmos empréstimos. A sua grande desfaçatez foi ter aberto a boca para falar sabendo-se que não prima pela eloquência e que podia muito bem ter-se remetido ao silêncio que neste caso seria verdadeiramente de ouro. Desfaçatez 2 - Os empréstimos serviram para adquirir ações do BCP numa tentativa gorada de controlo acionista deste banco, com o beneplácito do Banco de Portugal e do governo PS de então, tendo as próprias ações servido como garantia aceite pelos responsáveis do banco como boa para a cobertura do risco. Entretanto rebentou a crise bancária e as ações que à data da aquisição tinham um valor idêntico ao dos empréstimos desvalorizaram-se brutalmente sem nunca mais terem recuperado. Não é necessária qualquer comissão de inquérito para se entender que a administração da CGD por incúria ou por pressão política do governo PS de então ou por qualquer outra razão que não o superior interesse da CGD, concedeu os empréstimos sem a salvaguarda de garantias reais fiáveis como era de sua obrigação para minimizar o enorme risco associado. Desfaçatez 3 – O tom acintoso das críticas de Presidente da República, Primeiro Ministro e de alguns deputados ao que JB disse na CI e que se calhar não é mentira, por contrapartida ao seu silêncio “comprometido” relativamente ao que disse Ricardo Salgado na CI ao BES procurando desresponsabilizar-se do descalabro do banco e do seu impacto arrasador na vida de milhares de investidores, credores e na economia do País.
Leitor identificado