A política não é para todos. Exercer política, quer na governação, quer na oposição, exige inteligência, conhecimento, ética, responsabilidade, poder de encaixe e noção do momento certo para atuar.

A polémica dos professores deu-nos a oportunidade para analisar os jogos de bastidores dos partidos políticos na Assembleia da República e testar a capacidade dos seus líderes. Engana-se o político que acha que as pessoas não perceberam o que se passou.

Indiscutivelmente, António Costa ganhou. E ganhou porque é inteligente e porque nas suas declarações foi coerente a demonstrar ética e responsabilidade. O trabalho realizado por Centeno, reconhecido na Europa, atestou confiança nas declarações proferidas.

Demonstraram sentido de Estado e governação responsável e espera-se agora esta mesma determinação e coerência para defender Portugal na Europa. A expectativa é grande e não se vai aceitar agachamentos. Que se bata o pé quando tiver de ser.

Os outros partidos ficaram à rasca. Porquê? Porque têm a ideia pré-concebida de que ser oposição é apenas ser do contra. E fazer oposição é muito mais do que isto.

As declarações de Rui Rio revelaram a divisão do PSD a nível nacional. Demonstrou desconhecimento do que se passa no seu partido e que não existe articulação com os deputados. A tentativa de fazer piada e dizer que se não fosse Sá Carneiro teria acabado no PS foi uma anedota que não lhe saiu nada bem. Quem não tem a capacidade de humorista, nem deve tentar fazer piada.

Assunção Cristas foi mais verdadeira. Confessou que tinha inveja da equipa de comunicação do PS pela forma como geriram toda a comunicação. É o que acontece a quem se esquece de usar a sua experiência como governante para fazer uma oposição responsável. Uma equipa de trabalho que diz sim a tudo entala.

Catarina Martins deveria ter sido mais coerente na sua linha de orientação. Mudar de discurso simplesmente porque está em véspera de eleições sai sempre mal. A cena de ver deputados do PS afastados da discussão com todos os outros juntinhos a escrevinhar um documento para lixar o governo, não caiu bem. Cheirou a chico-espertismo. Ética também exige-se na política.

A confusão com o documento fez parecer que os deputados não se tinham preparado para a reunião o que, na verdade, virou moda porque a nossa sociedade deixou de valorizar o conhecimento. Consequências desta desvalorização?

Vejamos o que se passou na Comissão de Inquérito a Joe Berardo. Para ele, está “tudo bem”. Os bancos facilitaram-no. Mas isto não lhe retira responsabilidade.

Temos de passar a exigir responsabilização sob pena de continuarmos a pagar dívidas que não fizemos. E precisamos de exigir que as nomeações para os cargos sejam feitas com base na competência. Pensemos nisto.

Afirmações como a de Miguel Albuquerque a defender Joe Berardo, afirmando que o empresário está a ser um “bode expiatório” é de arrepiar.

Se Miguel Albuquerque queria demonstrar lealdade ao Comendador (que provavelmente vai perder a condecoração) poderia dizer que se aguarda o resultado das investigações, mas que ninguém estava acima da lei.

É requisito para ser marinheiro que se saiba nadar. Quem não sabe nadar, nem deve concorrer para marinheiro.

E nós? Nós devemos ser exigentes com quem exerce cargos públicos. Enquanto não exigirmos mérito e ética, o resultado vai ser o mesmo. E, se calhar colocar a ética em primeiro lugar porque como Aristóteles já nos ensinava: “A ética é um saber prático e pressupõe três elementos fundamentais: o uso correto da razão, a boa conduta (eupraxia) e a felicidade (eudaimonia).”