A bióloga e escritora Violante Saramago Matos defendeu, esta tarde, na III Convenção dos Estados Gerais do PS, a criação da Secretaria Regional da Cultura, lamentando que na “Região, com o PSD, a cultura apareceu sempre como apêndice de qualquer coisa”, primeiro associada à Secretaria da Educação mas depois e quase sempre ligada ao Turismo.
“Esta opção turística produz um Carnaval que nada tem a ver connosco, festas da flor que duram semanas, festas do vinho transformadas em arraiais, festivais de veleiros topo de gama cuja mais-valia ainda hoje estou para perceber. Esta opção turística cunha as artes populares (da música ao baile, da arte do vime à do bordado) como menores e empurra-as para departamentos da Secretaria da Agricultura e casas do povo, à espera que se tornem em espécies em via de extinção”, observou a antiga deputada e vereadora, que também constatou que o poder regional “sempre olhou com desconfiança quando não com ostracismo para artistas e agentes culturais, a menos que submetessem às regras ditadas pela Quinta Vigia”. Violante Saramago Matos também criticou o actual executivo madeirense porque “não quis criar massa crítica capaz de elaborar um programa de comemorações dos 600 anos que tivesse a ver com a História desta terra, com as suas gentes e a sua cultura”.
Violante Saramago Matos defendeu que “a cultura tem que estar representada no Conselho de Governo”, porque é lá que as discussões se travam e as medidas se tomam”. Nessa linha, entende que “é preciso um passo novo” que é “a criação da Secretaria Regional da Cultura”.

