É uma das ideias que saem do 16º Congresso Nacional de Bioética - 9º Fórum Luso-Barsileiro: a bioética deve ser uma tema transversal toda a sociedade e não se limitar às elites.

No encerramento do encontro, que decorreu ao início desta tarde, no Colégio dos Jesuítas - UMa, foi afirmado que a conciliação entre ética e integridade científica deve ser levada às escolas, não num sentido impositivo, mas reflexivo. “De pequenino é que se torce o pepino”, lembrou Rui Nunes, presidente da Sociedade Portuguesa de Bioética.

O presidente acrescentou que esse trabalho deve abranger, igualmente, universidades, poderes públicos - câmaras municipais, governo regionais e central - e requer medidas como legislação específica. “As leis têm um valor simbólico (...). São um sinal claro que se dá à sociedade sobre o caminho que se deve seguir”.

Do Congresso sai a sugestão de que seja iniciado o caminho para elaboração de uma ‘Proposta de Declaração universal?, com a consciência de que tal não será fácil de alcançar.

Do Brasil, veio José Gallo, que se referiu ao problema da gravidez nas adolescentes do seu País e de como isso se transforma num problema bioético, tendo deixado uma paráfrase: “Se não construirmos escolas, vamos ter de construir presídios”.

O médico falou do problema ligado à formação em Medicina: “Criam-se faculdades de medicina como se criam botequins.” Isso levanta um problema de falta que qualidade formativa.

Também directamente ligado à bioética está o problema da corrupção. O Brasil “é um País rico em corrupção”. José Gallo disse que a eleição do Bolsonaro tem chegado ao exterior de forma desadequada e que o País não podia continuar no patamar em que estava e que a corrupção “tem reflexo na saúde”, por exemplo.

A encerrar a sessão final do Congresso, esteve Paulo Cafôfo, enquanto presidente da CMF, que apoiou o encontro. “Muita gente continua a estranhar bioética e o que significa (...). É muito mais do que cuidados médicos e actividade científica”. è mais abrangente, indo da saúde à cidadania, passando por várias outras áreas. Nesse aspecto, assume papel de destaque a escola. É lá que se criam os “alicerces” da cidadania, dos cidadãos com pensamento crítico.

Toda esta problemática implica uma “discussão que não pode ser distante e exclusiva dos intelectuais (...), cabe a todos”, incluindo ao poder política. É aí que se enquadra o apoio da CMF.