
Não é comum, um problema setorial, localizado, com especificidades próprias contaminar tão significativamente o funcionamento e a credibilidade da generalidade dos serviços e dos profissionais numa multiplicidade de interações e acontecimentos que abalam a relação de confiança que o comum cidadão deposita no serviço público de saúde.
O que vimos acontecer resulta do acumular de diversos constrangimentos ao longo dos últimos anos e que merecem uma reflexão profunda em torno dos diagnósticos formulados para o setor de forma a adotar medidas necessárias para corrigir os erros identificados, recuperando a confiança, a motivação e o envolvimento de todos na imprescindibilidade do serviço publico de saúde da região.
Enquanto o serviço nacional de saúde se encontra em discussão alarga, com iniciativas e contributos de vários quadrantes políticas e da sociedade civil, com vista a produzir uma nova lei de bases da saúde que ao fim de quatro décadas responda melhor aos problemas da sociedade atual, na região assistimos à discussão de problemáticas que em nada contribuem para uma saudável reflexão no setor, construindo um enredo que não se centra nos verdadeiros problemas, nem contribui para a desejada clarificação do que os madeirenses esperam do serviço publico de saúde.
A saúde é uma preocupação individual concreta, os episódios agudos ou crónicos de doença são situações reais que acometem as pessoas alteram as dinâmicas quotidianas das mesmas e das famílias causando sofrimento e dificuldades acrescidas, que necessitam de encaminhamento profissional, com respostas concretas dos serviços, com qualidade e segurança nos cuidados, independentemente da condição e da capacidade económica de cada um.
Sem harmonizar as diferentes componentes do sistema, cuidados de saúde primários, cuidados de saúde hospitalares, rede de cuidados continuados e segurança social, não é uma nova lei de bases da saúde nem a construção de um novo hospital que por si só resolverá os problemas que o setor enfrenta, apesar de serem elementos importantes para balizar e clarificar regras, melhorar o acesso e implementar melhores condições de trabalho.
Pelas dificuldades conhecidas é indispensável para o setor congregar os saberes e as vontades dos diferentes atores para a construção de um pensamento estratégico que permita com transparência estabelecer objetivos a médio e a longo prazo com monitorização e avaliação que possibilitem acompanhar permanentemente a orientação definida. É essencial restituir a centralidade do cidadão no sistema, contrariar a progressiva depauperação de alguns serviços, fixar, valorizar, e motivar os profissionais, reconhecer as diversas competências e colocá-las ao serviço do trabalho em equipa.