Finalmente!... O D. Maurílio realizou o maior sonho da sua vida.

Quando alguém me pergunta o que é o Céu, onde é o Céu e como é o Céu, muito delicadamente eu respondo: «Não sei, nem me importo saber». Mas há uma coisa que eu sei e isso me basta. Eu sei que Deus é meu Pai... meu Papá... meu Abba... minha Mãe. E sei que depois da minha morte Ele tem uma surpresa para mim. O Céu é essa surpresa que, mesmo que eu tente, não tenho possibilidades de imaginar. «O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, o coração do homem não pressentiu, isso Deus preparou para aqueles que o amam» (I Coríntios 2, 9).

O D. Maurílio, então Cónego Maurílio, foi meu professor de Teologia no Seminário Maior do Funchal. Foi numa dessas aulas de Teologia que o D. Maurílio lançou uma pergunta e onde revelou a visão que ele tinha do Céu. É uma daquelas perguntas para as quais não há respostas certas nem erradas. Há sim a partilha da experiência e do sentir de cada um. E a pergunta foi esta: «O que é que mais vos atrai no Céu?» Tirámos uns momentos para pensar e depois cada um deu a sua resposta. Lembro-me apenas de duas respostas. A minha e a dele. A minha foi: «O que mais me atrai no Céu é poder fazer a experiência de uma verdadeira amizade. Uma amizade íntima com Deus, com homens e mulheres, rapazes e raparigas, crianças e velhinhos sem ter medo de ferir nem de ser ferido». Por isso, quando neste mundo, sou capaz de viver essa experiência, sinto que estou saboreando um pouquinho do Céu que seja como for será sempre uma fascinante surpresa.

Lembro depois da partilha do «Senhor Cónego Maurílio» que disse: «O que mais me atrai no Céu é a surpresa de poder ver o rosto de Jesus Cristo». E depois falou do seu fascínio pela pessoa de Jesus Cristo e como tudo isso se deveria expressar no seu rosto.

Neste mundo tenho diariamente a possibilidade de ver o rosto de Jesus Cristo. Quando olho para o pobre, o doente, o que não presta, o descartado, o mentiroso, o abusador, o sem abrigo, o assassino... Todas as vezes que olho para um ser humano tenho o privilégio de ver o rosto de Jesus Cristo (Mat. 25). Mas esse rosto nem sempre é atraente, nem sempre é bonito, nem sempre me inspira confiança. Mas ver o rosto de um Jesus Cristo que nasceu da Virgem Maria, que passou pela situação de ser um rosto repugnante quando morreu na cruz e que passou a ser um corpo glorioso depois da Ressurreição, confesso que também tão posso imaginar nada mais belo, nada mais atraente, nada mais fascinante.

Obrigado Senhor D. Maurílio. Até breve!

Bernardino Andrade