
Aí estão os candidatos dos partidos às eleições ao Parlamento Europeu que se realizam no último Domingo do próximo mês de Maio. Alguns com escolhas mais ou menos serenas, outros mais complicadas, principalmente naqueles que as sondagens indicam uma provável diminuição do numero de deputados eleitos.
Escolher pessoas é sempre complicado, porque há uns que pensam que têm direitos, outros porque têm mesmo esses direitos e outros que entram nas listas como pagamento de faturas, ou se quiserem pelos favores que fizeram ao apoiar o líder e ainda os chamados “lambe botas”. Por vezes também procuram figuras graúdas da sociedade civil, deixando para trás os que ajudam o partido no seu dia a dia.
É muito difícil uma lista consensual, se não, mesmo impossível, principalmente quando os lugares são de bons para cima, em que os candidatos são mais que muitos. São os órgãos dos partidos que decidem as escolhas, através de reuniões próprias. A escolha está feita.
Duas mulheres com hipóteses de representarem a Madeira em Bruxelas, curiosamente ambas em 6º lugar. Só que as sondagens dão 9 deputados para o PS e 6 para o PSD, tendo assim a candidata do PS mais hipóteses para ser eleita, considerando as variações que existem entre as sondagens e a realidade. De qualquer modo, seria bom para a Região que fossem eleitas as duas, apesar da candidata do PSD ser meia pela Madeira e meia pelos Açores, com metade do seu gabinete de apoio com gente da Madeira e a outra metade com açoreanos. De qualquer modo partimos do princípio que é melhor deputada e meia do que apenas uma!!!
A atitude de Rui Rio em relação a este aspeto, desconsiderando Mota Amaral, que lhe recusou lugar exigível, esquecendo-se do seu passado, Deputado à constituinte, Deputado à Assembleia da República, Presidente do Governo dos Açores e Presidente da Assembleia da República e obrigando a Madeira a não ter um deputado, mas apenas meio deputado, passando assim, a ser, apenas representante da Madeira e dos Açores!!!!
Esta posição nunca tinha sido assumida por nenhum outro líder político. Sempre houve candidatos pelas duas regiões e não percebemos a atitude do PSD/Madeira de comer e calar, ou melhor de ficar de bico calado. Rui Rio, tal como a maioria dos dirigentes PSD nunca foram defensores das Autonomias Regionais, por mais que digam que defendem a descentralização.
Aliás, tal como Pedro negou Cristo, também o PSD negou a descentralização e para que fique para a história, vou contar um caso que se passou comigo e não que alguém me tivesse contado. Em 1975 houve eleições para a Assembleia Constituinte em todo o país. Nessa altura havia um movimento independentista, na Madeira, chamado de Flama e era Director do Jornal da Madeira, nomeado por D. Francisco Santana e líder do PSD na Madeira, o Dr. Alberto João, que de vez em quando escrevia uns “artiguelhos inflamados”. Um dia estava eu na sede do PS/Madeira e recebi um telefonema que o então Brigadeiro Azeredo, queria falar urgentemente com alguém da direção do Partido Socialista. Como estava só, dirigi-me ao Palácio de São Lourenço para saber da urgência da intimidação. Fiquei pasmado...
O PS Madeira foi chamado para que retirasse um cartaz que tinha sido colada na Madeira toda que dizia o seguinte: “ Pela Autonomia na Constituição” – Partido Socialista e também um outro, escrito à mão que estava numa montra da sua sede. Claro que perguntei porquê? Razão: O representante do MFA, Brigadeiro Azeredo tinha chamado ao Palácio de São Lourenço o Dr. Alberto João por causa da sua defesa da Flama num qualquer artigo que tinha escrito. “Puxou-lhe as orelhas” por esse motivo e ele defendeu-se acusando o PS de ser separatista porque tinha colado cartazes a defender a Autonomia na Constituição e tinha um cartaz na sua sede a defender a Autonomia Absoluta para a Madeira.
Dois casos distintos, mas ambos a demonstrar quem defende a Autonomia para a Madeira que merece a pergunta: O povo madeirense vai votar numa deputada inteira ou em apenas meia deputada?