O Grupo de Contacto Internacional (GCI) para a Venezuela, reunido hoje em Montevideu, decidiu enviar representantes para se reunirem com ambas as partes no país, reconhecendo que a crise humanitária “se está a aprofundar”.

Participaram nesta primeira reunião do GCI a União Europeia (UE), que esteve representada pela chefe da diplomacia europeia, a italiana Federica Mogherini, e por oito Estados-membros do bloco comunitário (Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Suécia).

Portugal esteve representado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Do lado da América Latina, estiveram presentes a Bolívia, Costa Rica, Equador, México e Uruguai.

Na declaração, que foi subscrita por quase todos os países, o grupo defende que vai continuar a trabalhar para conseguir “estabelecer as garantias necessárias para um processo eleitoral confiável no menor tempo possível”.

O documento acrescenta que pretendem que a “entrega urgente” de ajuda humanitária na Venezuela, salientando que vai ser enviado um grupo numa missão técnica ao país.

Esta declaração foi assinada pela União Europeia (UE), Uruguai, Costa Rica, Equador, Espanha, Itália, Portugal, Holanda, Suécia, Alemanha, França e Reino Unido, enquanto o México e Bolívia, que também participaram na reunião, não assinaram a declaração final.

A declaração alerta ainda para a gravidade da crise vivida na Venezuela e o seu impacto na região, para além da “difícil situação” que o povo venezuelano está a viver.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

A maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconheceram Guaidó como Presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.

A repressão dos protestos antigovernamentais desde 23 de janeiro provocou já 40 mortos, de acordo com várias organizações não-governamentais.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da ONU.

Na Venezuela, antiga colónia espanhola, residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.