A alta representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Federica Mogherini, afirmou hoje que a ajuda humanitária na Venezuela deve ser canalizada de forma “imparcial” e sem ser “politizada”.

“Conversámos sobre a necessidade de existir uma ajuda canalizada de forma imparcial e independente, para que a ajuda nunca seja politizada”, afirmou a italiana Federica Mogherini, após a primeira reunião ministerial do Grupo de Contacto Internacional para a Venezuela.

Mogherini ressalvou que a UE já mobilizou ajuda para a Venezuela no valor de 60 milhões de euros, aos quais vão acrescentar outros cinco milhões, recursos que devem ser administrados de maneira “efetiva e adequada”.

A UE está disposta a abrir um gabinete em Caracas para gerir a assistência humanitária, afirmou a responsável.

Já o ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, disse que a chegada da ajuda humanitária à Venezuela “é imperativa”.

“Vamos tentar criar os canais necessários para que a Venezuela permita que a ajuda chegue”, disse o ministro uruguaio.

A Assembleia Nacional da Venezuela, onde a oposição está em maioria, informou na terça-feira que está a coordenar a entrada no país do primeiro lote de ajuda humanitária, com remédios e alimentos.

A ajuda humanitária para a Venezuela foi solicitada pelo chefe do parlamento, Juan Guaidó, apesar da rejeição do governo de Nicolás Maduro, que assegura que isso pode dar lugar a uma invasão estrangeira.

Camiões de ajuda humanitária dos Estados Unidos destinados à Venezuela, que foram recusados pelo Presidente Nicolás Maduro, chegaram hoje à zona de fronteira da Colômbia com este país.

Segundo a France Presse, são cerca de uma dezena de camiões com ajuda, incluindo alimentos não perecíveis e medicamentos, que já deram entrada no centro de armazenamento organizado pelas autoridades colombianas perto da ponte internacional de Tienditas, na cidade fronteiriça de Cúcuta.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

A maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconhece Guaidó como Presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.

A repressão dos protestos antigovernamentais desde 23 de janeiro provocou já 40 mortos, de acordo com várias organizações não-governamentais.

Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da ONU.

Na Venezuela, antiga colónia espanhola, residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.