Há poucos dias neste País cujo Serviço Nacional de Saúde (SNS) consta na nossa Constituição como público, universal e tendencialmente gratuito, nasceu um bebé que teve como berço um contentor do lixo, onde foi despejado totalmente despojado do amor e do alento que só uma MÃE lhe poderia dar, e onde a acalentá-lo tinha apenas e só o lixo que lhe serviu de cama. É fruto da relação entre uma mulher que não quis ser mãe e de um homem que sendo o pai biológico nunca será mais do que isso. E se há 2019 anos em Belém houve um milagre quando a estrela que guiou os Reis Magos se “apagou” para que Herodes não a visse e não matasse o Menino que acabara de nascer, um novo milagre aconteceu quando o bebé ora nascido deitado não numa singela manjedoura mas num contentor do lixo recebeu a visita não de Reis Magos montados em camelos mas de três sem abrigo montados na sua miséria, guiados não por uma estrela mas pelo choro que ouviram ao aproximar-se do contentor onde talvez fossem procurar algo de útil no meio daquele lixo, fruto do desperdício nosso de cada dia. Mesmo assim ofereceram mais do que ouro incenso e mirra, ofereceram-lhe o milagre da vida! Com a mãe biológica na cadeia, à espera talvez não de justiça mas de um eventual castigo dos Caifás e dos Pilatos que temos dentro de nós, como se a sua vida miserável não a tivesse já castigado demais, o bebé foi adotado por uma família. Para que o milagre seja pleno espera-se que encontre junto dessa mesma família o conforto e o verdadeiro amor de PAI e de MÃE. Decorre um inquérito para apurar responsabilidades pelo facto de a gravidez não ter sido seguida por quem tinha essa incumbência sem que lhe vislumbremos qualquer utilidade. É que por irónico que pareça, se tudo se tivesse passado como previsto e a gravidez tivesse sido devidamente acompanhada pelo nosso SNS muito provavelmente este bebé não passaria agora de mais um número na estatística do aborto, jamais teria nascido nem o milagre acontecido. Feliz Natal!

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