Há valores que devem nortear a ação política. Entre estes, destaco a honestidade, o trabalho e a coragem.

E lembro-me destes valores em particular em torno da ecotaxa turística de Santa Cruz e do que foi preciso percorrer para que a sua justiça fosse entendida, para que a sua necessidade fosse aceite, para que os seus resultados fossem concretizados.

Em política, é preciso honestidade, trabalho e coragem. Mas é claro que nem sempre quem faz política se rege por este quadro de valores. Há os que preferem o jogo de cintura, o dito pelo não dito, o ilusionismo mal disfarçado, o aproveitamento descarado, o calculismo com fins eleitorais e nunca com o bem comum como horizonte.

Santa Cruz foi a primeira a implementar uma ecotaxa turística. Quando o fez, todos se alinharam na crítica fácil, na política de ocasião, no calculismo, na falta de coragem.

Passado poucos anos, o Governo Regional, crítico acérrimo da taxa de Santa Cruz, que, lembre-se, ia acabar com o turismo no concelho, vem dar o dito pelo não dito e afinal uma taxa turística é agora não só uma necessidade, como uma medida acertada. No entanto, o golpe não se fica por aqui. O golpe pretende aproveitar-se do já conquistado por Santa Cruz, transformar tudo em taxa regional, assaltar o poder local e aproveitar-se, com a má fé habitual, do trabalho e coragem dos outros.

Agora que a Taxa turística está a dar frutos não aceitamos que queiram apropriar-se ilegitimamente de experiências de sucesso para criar unanimismos que vão contra a autonomia do poder local e que pretendem tratar por igual o que é diferenciado, na medida em que nem todos os concelhos têm a mesma importância em termos turísticos, nem o mesmo número de unidades hoteleiras sedeadas no seu território.

Cobrar uma taxa turística única e dividir a receita pelos municípios ou revertê-la para a promoção do destino Madeira ou para a animação turística é tirar uma receita que é municipal na sua origem para financiar estratégias de governação que devem ter os seus próprios orçamentos. Não podemos concordar com mais esta estratégia encapotada de financiamento de medidas governamentais à conta das receitas das autarquias.

Santa Cruz e o seu poder local não pode, nem aceita, servir de tubo de ensaio de uma medida condenada por todos, e agora, quando está a dar resultados e receita, toca de dividir o bolo por todos, criando estratégias globais com dinheiro local.

Não abdicamos de medidas nas quais fomos pioneiros, não aceitamos que agora se aproveitem de estratégias e medidas que são nossas e que foram implementadas com a oposição de muitos. Não abdicamos sobretudo da nossa autonomia e da nossa estratégia política em prol do Município que gerimos. Que cada um procure as suas fontes de financiamento, de acordo com aquela que é a sua competência e dimensão.

E sobretudo que cada um tenha a coragem que é necessária à ação de uma política de honestidade e trabalho. Porque a política será sempre um terreno onde de um lado está a coragem e do outro o calculismo. E o povo está a ver.