“Palavra”, na língua portuguesa (do latim “parabŏla” que, por sua vez, deriva do grego transliterado “Parabolé”), pode ser definida como um conjunto de letras ou sons, juntamente com a ideia associada a esse conjunto. A sua função é representar partes do pensamento humano e, por isto, constitui uma unidade da linguagem humana. Corresponde, na fala, a um som ou conjunto de sons e, na escrita, a um sinal ou conjunto de sinais gráficos. Tem o mesmo significado de “termo”, quando nos referimos ao aspecto interno ou à representação imaterial da palavra, por contraponto a “vocábulo” quando queremos referir-nos ao aspecto externo ou à representação material da palavra.

Não existe, no entanto, uma designação técnica suficientemente precisa para “palavra”, já que nem sempre é possível delimitá-la.

Sendo a língua um corpo vivo, as palavras ganham, frequentemente, significados novos que advêm do seu uso pelos falantes.

Vem isto a propósito da palavra “geringonça” que, tradicionalmente, significava “coisa ou construção improvisada ou com pouca solidez. Caranguejola”; “aparelho ou mecanismo de construção complexa. Engenhoca” e que, recentemente, adquiriu um significado novo que já está dicionarizado: “Solução governativa que resulta de um ou mais acordos parlamentares entre dois ou mais partidos políticos e de que pode não fazer parte o partido mais votado nas eleições”.

Querido amigo desde os velhos tempos de Coimbra, há dias, relembrava-me o uso de outra palavra que, ultimamente, tem sido pouco ou nada utilizada e era comum nos nossos tempos de estudantes universitários: “zingarelho”.

Zingarelho, palavra de origem obscura, tem diversos significados informais dos quais pode referir-se: “coisa que não tem utilidade ou que não funciona bem”; “qualquer objecto, aparelho ou mecanismo, geralmente de aspecto ou uso complexo”.

Estabelecendo um paralelismo entre “Geringonça“ e “Zingarelho”, quem sabe a solução de governo encontrada, nestas últimas eleições regionais, com a associação forçada do PSD com o CDS, colmatando, desse modo, a perda da maioria absoluta pelo primeiro e constituindo um inusitado “prémio” para o acentuado decréscimo de eleitores do segundo não poderá, futuramente, ser designado por “Zingarelho” e ter, inclusivamente, honras de dicionário?

São as pessoas que fazem a língua.