
Porque o assunto da Feira do Santo da Serra foi aproveitado politicamente de forma desonesta e com claro desrespeito pelas instituições, torna-se necessário um ponto de ordem e uma clarificação.
Primeiro, a Câmara Municipal de Santa Cruz não encerrou a Feira do Santo. O Município cessou um contrato de arrendamento com a Diocese do Funchal.
Segundo, é desonesto e falso falar-se de direitos adquiridos relativamente a uma atividade de cariz ambulante e temporária.
Terceiro, não é verdade que tivesse havido falta de diálogo com os feirantes. Foram seis anos de oportunidades, de planos de pagamento e de avisos. A opção da larga maioria dos feirantes foi simplesmente a de não pagar.
No entanto, o que mais me choca nesta situação é que se a Câmara de Santa Cruz optasse por continuar a ter uma despesa sem que existisse uma receita. Se continuasse a garantir água, luz e limpeza sem qualquer contrapartida, estava a criar uma clara discriminação em relação a todos os cidadãos que pagam os seus impostos, as suas rendas, e fazem pela sua vida, muitas vezes com sacrifício.
Ou seja, não é justo que o dinheiro dos cidadãos cumpridores sirva para manter situações de exceção a quem não cumpre.
O dinheiro que gerimos não é nosso, mas sim de todos e isso exige rigor, justiça e transparência.
Por todas as razões acima descritas, também me chocou ver um partido e um deputado eleito em democracia invadir de forma arruaceira uma instituição autárquica, criando constrangimentos aos serviços e entoando ameaças de que ninguém sairia dali. Depois, ainda acusou a Polícia, como se fosse legítimo invadir serviços públicos.
O direito de manifestação existe, e deve ser respeitado. O aproveitamento político sem vergonha, despropositado e sem medida, não devia existir, nem ser respeitado.
Por último, e não menos importante, a decisão tomada pela Câmara Municipal de Santa Cruz é irreversível. Em política há que assumir as decisões, garantir a justiça e a verdade, e agir sem recuo quando assim é necessário. Neste caso, é necessário e justo que assim seja.